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BC deve manter Selic em 15% nesta quarta, enquanto nos EUA aposta é de queda nos juros

Diferencial entre taxas se acentua com Copom mantendo Selic e Fed projetando corte de 0,25 ponto, impactando o mercado financeiro global.

Nesta Superquarta, BC deve manter Selic em 15%, enquanto Fed projeta corte de 0,25 ponto nos EUA, acentuando o diferencial de juros.

SÃO PAULO – A tão aguardada “Superquarta” financeira se desenha com expectativas divergentes para as políticas monetárias do Brasil e dos Estados Unidos. Enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro deve anunciar a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, o Federal Reserve (Fed) norte-americano caminha para um novo corte de 0,25 ponto percentual.

Essa disparidade acentuará o diferencial de juros entre as duas maiores economias das Américas, com repercussões significativas no mercado.

As decisões, embora cruciais, já são amplamente precificadas pelo mercado. No Brasil, a unanimidade entre as 34 instituições consultadas pela Bloomberg aponta para a estabilidade da Selic. Nos EUA, a ferramenta FedWatch do CME Group indica 87,4% de chance de um corte, corroborado pela maioria dos analistas entrevistados pela Bloomberg. A expectativa de um dólar mais valorizado, que fechou em R$ 5,437 na véspera, reflete em parte a incerteza política doméstica e a influência das decisões de juros.

Cenários e Pressões para as Taxas de Juros

No Brasil, o debate se concentra no momento de início do ciclo de cortes. A autoridade monetária está sob pressão do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reduzir os juros, visando estimular a economia.

Entre os argumentos a favor de uma redução imediata, destaca-se a desaceleração econômica, com o PIB crescendo apenas 0,1% no terceiro trimestre, e a projeção de inflação para este ano recuando para dentro do teto da meta (4,43%).

Contudo, o Copom reiterou em seu último comunicado a necessidade de manter o nível atual de juros por um período “bastante prolongado”. Adicionalmente, a taxa de desemprego, que se manteve em 5,4% no trimestre encerrado em outubro, sugere uma resiliência da atividade econômica que pode justificar a cautela do Banco Central em iniciar um ciclo de cortes.

Nos Estados Unidos, a decisão do Fed é complicada por dados econômicos defasados, consequência de um recente “shutdown” governamental. Embora o último dado de inflação, de três meses atrás, mostre desaceleração, os indicadores do mercado de trabalho apresentam um quadro misto.

Pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram para o menor nível desde setembro de 2022, indicando força, enquanto um relatório da ADP apontou a maior queda de empregos no setor privado em mais de dois anos e meio.

A confirmação das projeções para ambos os bancos centrais implica um aumento do diferencial de juros entre Brasil e EUA, o que pode beneficiar o real. Essa dinâmica favorece a estratégia de “carry trade”, onde investidores tomam empréstimos em moedas com taxas baixas, como o dólar, para aplicar em mercados com taxas mais elevadas, como o brasileiro.

Tal movimento tende a impulsionar a compra de reais, contribuindo para a desvalorização da moeda americana no país.

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