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Política

Bolsonaro pede votos em “quem tenha Deus no coração”

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Em inauguração de uma adutora de abastecimento de água em São José do Egito (PE), o presidente Jair Bolsonaro pediu que os eleitores “caprichem para escolher prefeito e vereador” em novembro. “Vamos escolher gente que tenha Deus no coração, que tenha na alma o patriotismo e queira a liberdade e o bem do próximo”, afirmou. E emendou o lema do integralismo: “Deus, pátria e família”. Cerca de 300 pessoas estavam na plateia.

Não é a primeira vez que o presidente usa o lema do movimento surgido na década de 1930 no Brasil, influenciado pelo fascismo na Europa. Em junho deste ano, Bolsonaro publicou pelo Twitter foto ao lado do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, usando o lema do movimento autoritário como legenda da imagem. O mote também chegou a ser usado como slogan do partido que Bolsonaro pretendia criar, Aliança pelo Brasil, porém a agremiação não ainda saiu do papel.

Segundo o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas (FGV), a Ação Integralista Brasileira (AIB) foi “o movimento de inspiração fascista mais importante organizado no Brasil”. De acordo com a instituição, “a Ação Integralista nasceu numa fase de ascensão das ideias autoritárias de direita, a partir do marco político estabelecido pela Revolução de 1930, radicalizando em direção do discurso ideológico fascista as tendências antiliberais difundidas entre amplos setores políticos e intelectuais no contexto pós-revolucionário”.

O presidente, que havia dito que não participaria das eleições municipais este ano, mudou de discurso na semana passada e afirmou que poderia declarar o voto em três cidades: São Paulo, Santos e Manaus.

Para o Odilon Caldeira Neto, professor de História Contemporânea na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e co-autor do livro “O fascismo em camisas verdes: do integralismo ao neointegralismo”, o discurso de Bolsonaro não é necessariamente baseado em ideias integralistas, mas compartilha similaridades.

“A forma como Bolsonaro faz uso da noção de ‘Deus, pátria e família’ não é a mesma que os integralistas queriam fazer. A dimensão religiosa no integralismo era sobretudo de um conservadorismo católico, não apenas cristão. No bolsonarismo, sabemos que há um conservadorismo evangélico”, diz.

“É justamente nesse discurso mais conservador que o princípio de interação se faz representar no governo Bolsonaro. A partir dessa dimensão mais conservadora, sobretudo pelo ministério da Damares, existe a atuação de grupos neo integralistas que são elogiosos ao integralismo histórico”, completa.

O professor comenta, ainda, que apesar do movimento apresentar uma fragilidade de articulação política por apresentar um discurso anacrônico e antidemocrático, o grupo, assim como outros extremistas, auxiliam a enfatizar o processo de radicalização das direitas.

“Enquanto os grupos neo integralistas estão articulados na marginalidade, quando não na ilegalidade, da extrema-direita, as ideias são partilhadas para além deles. É como se o integralismo não fosse mais propriedade absoluta dos grupos integralistas. Não à toa que o próprio lema ‘Deus, pátria e família’ hoje está espalhado na extrema-direita.  Essa ideia de criminalizar partidos comunistas ou o que se entende por comunismo, naturalizar o processo de desumanização de oponentes políticos, são elementos caudatários do próprio fascismo histórico”, diz.

Defesa da cloroquina

No evento em Pernambuco, Bolsonaro voltou a defender o uso da hidroxicloroquina, medicamento sem comprovação da sua eficácia no tratamento contra a covid-19. “Deus foi tão abençoado que nos deu até a hidroxicloroquina para quem se acometer da doença, e quem não acreditou, engula agora”, disse o presidente, durante o discurso.

“Eu não sou médico, mas sou ousado como o cabra da peste nordestino”, completou o presidente, que foi contaminado por covid-19, se recuperou e declarou ter usado o medicamento no tratamento da doença.

Bolsonaro afirmou também que, como chefe supremo das Forças Armadas, nunca abrirá mão da liberdade e democracia do País. O presidente disse que seu governo “tudo fará para todos no Brasil, mas, em especial, não esquecerá dos mais humildes”. Segundo Bolsonaro, “quando chega a água ao nordestino, parece que ele ganhou na Mega-Sena”.

O presidente e sua comitiva não usaram máscaras em nenhum momento da visita, quebrando os protocolos de segurança e recomendações das autoridades sanitárias. Ele causou aglomeração em pelo menos dois lugares diferentes: nos arredores do estádio de futebol, onde pousou sua aeronave, e no local do evento, onde por decreto municipal apenas 100 pessoas poderiam participar. A cerca de 1 km do estádio de futebol, um grupo de aproximadamente 60 pessoas fizeram manifestação contra a visita de Bolsonaro.

Esta é a primeira visita do presidente a Pernambuco depois do início da pandemia. O governador Paulo Câmara, do PSB, partido de oposição ao presidente, não estava presente no evento. Segundo sua assessoria, ele não foi convidado. A região do Pajeú, onde está a cidade de São José do Egito, é um grande reduto do PSB. O prefeito do município, Evandro Valadares (PSB), recepcionou o presidente na sua chegada, mas também não participou da cerimônia por ser candidato à reeleição. (Do Estadão)

 

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Política

Discurso de Toffoli é visto como tentativa de afastar pecha de bolsonarista

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Ele deu efusivos parabéns a Luiz Fux pelo discurso de 8 de setembro, em que rebateu os ataques do presidente Jair Bolsonaro à corte

Um discurso do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em uma cerimônia no Superior Tribunal de Justiça na quinta-feira (21), foi interpretado como tentativa de afastar sua imagem da pecha de bolsonarista.
Ele deu efusivos parabéns a Luiz Fux pelo discurso de 8 de setembro, em que rebateu os ataques do presidente Jair Bolsonaro à corte, e a Alexandre de Moraes, por ser um “bastião” da defesa da democracia.

Sem citar Bolsonaro, Toffoli disse que os perigos do mundo contemporâneo são as ameaças às instituições.
O ministro afirmou que o mundo vive uma batalha pela verdade factual. “Se uns dizem que a terra é plana, como discutir com eles? Se essa tribuna não é uma tribuna, é uma mesa, como conversarmos?”.

Sobre Fux, o ministro disse que o discurso pós-feriado feito para rebater o presidente da República é para “registro da história” porque mostrou que o Judiciário não admitiria que a Constituição fosse ultrapassada.

Toffoli abordou ainda tema tratado com discrição dentro da corte, as supostas ameaças sofridas por familiares de Moraes por causa da condução dos inquéritos que miram Bolsonaro e seus apoiadores.

Ele afirmou que o ministro, “com coragem e sacrifícios da própria família”, tem defendido “na sua caneta o melhor da democracia brasileira”.

Toffoli envolveu-se em uma série de eventos nos últimos anos que levaram à associação de sua imagem ao bolsonarismo.
Em 2018, durante discurso em seminário sobre os 30 anos da Constituição de 1988, ao falar sobre o golpe militar de 1964, Toffoli, então presidente do STF, disse que hoje prefere se referir ao período como “movimento de 1964”.

Ele também afirmou que tanto a esquerda quanto a direita conservadora, naquele período, tiveram a conveniência de não assumir seus erros que antecederam 1964, passando a atribuir os problemas aos militares. Toffoli foi bastante criticado à época, acusado de revisionismo histórico.

Durante sua passagem pela presidência do STF, Toffoli nomeou militares como assessores de seu gabinete, medida que foi alvo de questionamentos. Os generais Fernando Azevedo e Silva e Ajax Porto Pinheiro foram dois deles.

Em setembro do ano passado, em mais um posicionamento controverso, Toffoli disse nunca ter visto alguma atitude do presidente Jair Bolsonaro ou de seus ministros contrárias ao regime democrático.

Presentes no evento da quinta-feira (21) também destacaram o estilo despojado do ministro durante o discurso.

Ele mesmo brincou em um momento, quando estava improvisando, que seria melhor se ater ao texto que havia escrito antecipadamente para não se eternizar mais que o homenageado, o jornalista Orpheu Salles, que completaria 100 anos.

Salles foi fundador e editor da revista Justiça & Cidadania e diretor administrativo da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

Por Folhapress

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Política

Renan e senadores do PT articulam para que Rodrigo Pacheco seja vice de Lula em 2022

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Um dos principais aliados de Lula no MDB, Renan Calheiros entrou em uma articulação direta junto ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para que ele seja vice de Lula na eleição de 2022. Os dois tiveram uma conversa sobre o tema, neste mês. Senadores do PT que mantêm boa relação com Pacheco também o sondaram sobre a disposição de assumir o posto.

Renan tem defendido que o vetor que definirá a posição de vice de Lula é o da pacificação e que Pacheco encarna essa característica. Além disso, o presidente do Senado é de Minas Gerais, um Estado decisivo na vitória da eleição presidencial.

Pacheco bateu o martelo sobre sua saída do DEM para se filiar ao PDS de Gilberto Kassab. O evento de filiação acontece na próxima semana, em Brasília. Kassab defende publicamente a candidatura do senador à Presidência da República como uma alternativa a Lula e Bolsonaro. No universo político, porém, ninguém descarta a possibilidade de Kassab rifar a candidatura de Pacheco ao Planalto e apoiar que ele seja o vice de Lula.

O presidente do Senado desconversou e não deu uma resposta direta aos interlocutores sobre as chances de ser o vice do petista. Disse que fica lisonjeado com deferência ao seu nome para o cargo, mas que esse não seria o momento de discutir eleições e repetiu o discurso que vem fazendo. Afirmou que é hora de priorizar a retomada da economia e resolver os problemas que o Brasil enfrenta, como desemprego, fome e inflação.

(Fonte PE Notícias)

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Política

Em Sertânia, Fernando Bezerra Coelho se rasga em amor a Bolsonaro

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O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), participou nesta quinta-feira (21), em Sertânia (PE), da inauguração do Ramal do Agreste, a maior obra de infraestrutura hídrica do Nordeste.

No evento, o presidente Jair Bolsonaro confirmou o valor do Auxílio Brasil, que vai substituir o programa Bolsa Família. “Nós acertamos que o Auxílio Brasil será de R$ 400,00. E nenhum nordestino vai ficar para trás”, afirmou.

Ao lado do presidente e do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, o senador Fernando Bezerra se rasgou em elogios ao mandatário: lembrou os R$ 1,3 bilhão investidos no Ramal do Agreste, que representam mais de 85% do custo total da obra, “refletindo o compromisso do governo federal com a região”. FBC também citou os recursos federais repassados ao governo de Pernambuco para a construção da Adutora do Agreste, que levará água do Rio São Francisco para 2,2 milhões de pessoas.

“Essa obra do Ramal do Agreste se insere dentro do compromisso do presidente Bolsonaro com a região mais pobre do Brasil. A Adutora do Agreste, para poder funcionar, precisa desta obra. E essa obra o presidente não deixou parar. Começou com R$ 300 milhões investidos, mas colocou R$ 1,3 bilhão, mais de 85% da obra, para poder viabilizar a Adutora do Agreste, que vai chegar a 68 municípios pernambucanos”, explicou o senador. “A obra da Adutora do Agreste, muitos dizem que é uma obra do Estado. Sabe como é obra do Estado? Com 90% da verba do governo federal. Essa é a realidade. E o presidente tem ajudado a prosseguir com as obras da Adutora do Agreste, para que a gente possa oferecer segurança hídrica a todo Pernambuco.”

O ministro Rogério Marinho também rebateu as críticas sobre a inauguração do Ramal do Agreste antes da conclusão da Adutora. Segundo ele, o governo federal repassou R$ 248,2 milhões para a obra da Adutora entre 2019 e 2020, e há R$ 47 milhões não executados no caixa do governo do estado de Pernambuco.

“Nós temos um governo que tem feito um esforço inaudito para resgatar uma dívida que o Brasil tem com o Nordeste brasileiro. Existe um amontoado de mentiras que são publicadas, mas vamos aos fatos. Em 2014, o governo de Pernambuco faz um convênio e inicia a obra de R$ 1,3 bilhão, mas com dificuldade de captação de água. Era necessário o canal. O canal começa em 2018, e o presidente alocou R$ 1,3 bilhão. Em apenas 2 anos e 9 meses, terminou a obra. Está entregando a obra. Agora, o governo do estado tem R$ 47 milhões na conta, sem gastar. Recebeu R$ 17 milhões no começo deste ano para aplicar em pequenas adutoras e não utilizou. O governo federal tem tratado o governo do Estado sem discriminação porque entende que o recurso do povo brasileiro pertence ao conjunto das pessoas que moram nesse país e não ao partido político de ocasião”, disse o ministro.

Por:Nill Júnior

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