Equipe médica revela que ex-presidente pediu tratamento para depressão em meio a quadro de saúde complexo no DF Star.
Internado para cirurgia de hérnia e tratado por soluços e apneia, ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou uso de medicamento antidepressivo.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve receber alta hospitalar nesta quinta-feira (1º), caso seu quadro de saúde se mantenha estável. Durante sua internação no Hospital DF Star, em Brasília, iniciada em 24 de janeiro para uma cirurgia de hérnia, Bolsonaro solicitou à sua equipe médica o uso de remédios antidepressivos, conforme revelado pelos profissionais que o acompanham.
Ele passou por uma nova endoscopia na quarta-feira (31), sem intercorrências.
Nos últimos dias, o ex-presidente enfrentou uma série de complicações, incluindo picos de hipertensão e crises de soluço persistente, uma condição rara. Essas intercorrências levaram a três procedimentos cirúrgicos entre sábado (27), segunda (29) e terça-feira (30). Além dos soluços, Bolsonaro também trata uma apneia do sono severa, com até 50 registros por hora durante a noite, o que contribui para a hipertensão e exige o uso contínuo de um aparelho CPAP para auxiliar na respiração.
Estado Psicológico e Tratamento
A equipe médica de Bolsonaro ressaltou que o estado psicológico, como em qualquer paciente, impacta diretamente a saúde. Diante do abalo emocional percebido, o próprio ex-presidente pediu para iniciar um tratamento para depressão.
O médico Claudio Birolini, que acompanha Bolsonaro, afirmou: “O próprio [ex-]presidente pediu para fazer uso de algum medicamento antidepressivo. Então foi introduzido [durante a internação] esse tratamento e a gente espera que passe a fazer algum efeito em alguns dias.” Ele acrescentou que o ânimo de Bolsonaro “oscila um pouco”, com uma “piora considerável nos momentos de soluços prolongados.”
A internação do ex-presidente precisou ser autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dado que Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. Após os procedimentos para controlar os soluços, que envolveram bloqueios dos nervos frênicos, os médicos observaram melhora, mas indicaram a necessidade de tratamentos não invasivos contínuos.
A endoscopia realizada na quarta-feira (31) revelou a persistência de esofagite e gastrite erosiva, condições que os médicos suspeitam serem “muito causadoras dos soluços”, segundo o cardiologista Brasil Caiado. Bolsonaro seguirá em tratamento para doença do refluxo gastroesofágico, fisioterapia respiratória, terapia de CPAP noturno e medidas preventivas para trombose.
Após a alta, Bolsonaro receberá uma série de orientações de autocuidado, como alimentação fracionada e evitar deitar-se após as refeições para prevenir refluxo. Ele também continuará com curativos e precisará se atentar ao risco de queda devido ao uso do CPAP.
A ida de volta à Superintendência da Polícia Federal, onde cumpre pena, dependerá de acertos logísticos com a corporação.