A situação brasileira de combinar juros elevados com dívida pública em expansão foi apontada como um exemplo crucial para as principais economias do planeta. O país teria um dilema que se estenderia pelos próximos anos, entre adotar severas medidas de austeridade ou mergulhar em uma sequência de custos financeiros crescentes sem controle.
O termo brasileirização foi criado para definir o perigo de outras nações reproduzirem essa trajetória de fragilidade fiscal. Segundo a avaliação, manter a taxa básica em 15% ao ano exigiria que o governo destinasse cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) apenas ao pagamento de juros, o que não seria viável sem redução de despesas ou aumento de receitas.
Dentre os fatores que sustentam os juros altos, destacam-se a instabilidade histórica das instituições responsáveis pela gestão das contas públicas e a oscilação persistente da inflação. Também é ressaltado o peso das despesas previdenciárias, que consumiriam cerca de 20% do PIB, deixando pouco espaço para ajustes em áreas essenciais.
A manutenção de políticas voltadas ao controle da inflação sem atacar a expansão das despesas obrigatórias, segundo a análise, aprofunda o ciclo de endividamento. Isso manteria os juros elevados como ferramenta para preservar a confiança na moeda, criando uma dependência que prejudicaria a estabilidade financeira do país.


