A saúde é uma das maiores preocupações dos brasileiros, conforme apontam pesquisas recorrentes. A disparidade entre os sistemas público e privado é evidente, levantando questionamentos sobre a igualdade no acesso aos serviços.
Enquanto cerca de 20% da população, atendida por planos de saúde, desfruta de diagnósticos e tratamentos com tecnologia de ponta, os mais de 160 milhões que dependem do SUS enfrentam filas, equipamentos obsoletos e estruturas sobrecarregadas.
O paradoxo reside na alocação de recursos: o sistema privado, atendendo uma parcela menor da população, opera com recursos similares aos do SUS, que atende a maioria. Apesar de orçamentos equivalentes, a qualidade do atendimento diverge significativamente. A questão central reside no excesso de gastos na saúde suplementar e na insuficiência de investimentos na saúde pública.
O setor privado frequentemente enfrenta desperdícios, com excesso de exames e tratamentos desnecessários, elevando custos e gerando ansiedade nos pacientes. No SUS, a defasagem tecnológica persiste há décadas, com equipamentos ultrapassados e infraestrutura precária.
As Santas Casas de Misericórdia, cruciais para o SUS, sofrem com uma tabela de preços desatualizada, impedindo a modernização. Essa falta de atualização tecnológica compromete a precisão dos diagnósticos, levando a tratamentos inadequados e complicações. A escassez de peças de reposição para equipamentos antigos resulta em soluções improvisadas, comprometendo a eficácia e segurança.
A indústria nacional pode contribuir significativamente com tecnologia e inovação, incluindo inteligência artificial. No entanto, investimentos em equipamentos e capacitação profissional são imprescindíveis.
Um dos maiores obstáculos é a desproporcionalidade nos incentivos à importação de equipamentos de saúde, mesmo quando o Brasil tem capacidade de produção equivalente ou superior. A isenção de impostos para importação, contrastando com a tributação sobre produtos nacionais, penaliza a indústria local e desestimula a inovação.
Santas Casas e hospitais públicos, representando a maior parte do mercado de saúde, deveriam impulsionar a transformação tecnológica. Contudo, a falta de recursos limita sua capacidade de compra, adiando investimentos e desestimulando o desenvolvimento de novas tecnologias pela indústria nacional.
A inovação na saúde depende, portanto, de uma política pública que valorize a produção nacional, integrando-a como parte da solução. A indústria brasileira está pronta, o financiamento existe, mas falta uma demanda consistente para impulsionar a inovação.