Desaceleração do mercado de trabalho formal em 2025 é atribuída à taxa Selic e impacta setores-chave da economia.
O Brasil registrou a criação de 1,27 milhão de empregos formais em 2025, o pior resultado desde 2020, segundo dados do Caged.
O Brasil encerrou 2025 com a criação de 1,27 milhão de empregos formais, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados recentemente. Este resultado representa o pior saldo anual desde 2020, indicando uma desaceleração no mercado de trabalho formal do país.
Ao longo do ano, foram registradas 26,59 milhões de contratações contra 25,3 milhões de desligamentos, elevando o número total de trabalhadores celetistas de 47,1 milhões para 48,4 milhões.
O aumento percentual nas vagas formais foi de 2,71%, um índice inferior aos observados em 2023 (3,3%) e 2024 (3,69%). Além disso, o mês de dezembro de 2025 apresentou um saldo negativo de 618 mil postos de trabalho formais, evidenciando uma piora na comparação com o ano anterior e uma queda de 1,26% no total de vagas.
No acumulado de janeiro a dezembro, todos os principais setores da economia registraram crescimento nas contratações. O setor de serviços liderou a geração de empregos, com 758 mil novos postos formais, um aumento de 3,29%. Em seguida, o comércio contribuiu com 247 mil vagas. Regionalmente, Amapá (8,4%), Paraíba (6%) e Piauí (5,81%) apresentaram as maiores altas, enquanto o Espírito Santo teve o menor aumento, com apenas 1,52%.
Impacto da Política Monetária
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, atribuiu o desempenho aquém do esperado, especialmente em dezembro, à manutenção da taxa de juros elevada. Na mesma semana da divulgação dos dados, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15%, patamar inalterado desde meados de 2025.
Marinho argumenta que essa política monetária tem impactado negativamente os investimentos e desacelerado o ritmo de crescimento econômico.
O ministro expressou preocupação com a demora na redução dos juros, alertando que isso pode comprometer os resultados do mercado de trabalho no restante do ano. Ele ressaltou o diálogo com o Banco Central, apontando que a política de juros altos reflete em “queimar orçamento para pagar juros”.
Marinho também comparou o impacto da Selic com o “tarifaço” imposto pelo ex-presidente americano Donald Trump, afirmando que, devido à abertura de mercado, os efeitos das tarifas


