No Dia Mundial em Memória das Vítimas do Trânsito, o Brasil enfrenta um cenário preocupante. Dados preliminares do Ministério da Saúde indicam que o país registrou, em 2024, o quinto ano consecutivo de aumento no número de mortes no trânsito.
O número de vítimas fatais atingiu 36.403 pessoas, representando um aumento de 4,4% em relação aos 34.881 óbitos contabilizados em 2023. O ciclo de crescimento sucessivo começou em 2019, quando o país registrou 31.945 mortes. Em comparação com 2020, ano em que o Brasil somou 32.716 mortes, o aumento em 2024 foi de 11,3%.
Essa escalada coloca em xeque a política pública de segurança viária do Brasil, que tem como meta reduzir pela metade a taxa de mortalidade até 2030, em comparação com 2020. As 36.403 mortes registradas em 2024 representam uma taxa de mortalidade de 17,1 óbitos para cada grupo de 100 mil habitantes, proporção alta quando comparada a outros países.
Os ocupantes de motocicletas representaram 41,2% de todas as mortes no trânsito em 2024, subindo de 38,8% no ano anterior. Em números absolutos, o grupo com maior alta de vítimas foi o de ocupantes de motocicletas, cuja mortalidade subiu 10,9% em apenas um ano. Foram cerca de 1.500 mortes a mais, saltando de 13.521 em 2023 para 14.994 em 2024, o maior valor já registrado na série histórica. A expansão do uso de motocicletas tem impulsionado a insegurança.
Além da perda de vidas, as colisões geram altos custos sociais e econômicos, sobrecarregando o sistema de saúde e as famílias das vítimas. Estimativas indicam que os mortos e feridos no trânsito custam bilhões por ano à sociedade brasileira.
Para reverter o quadro, é fundamental que a segurança no trânsito se torne prioridade, com ações como o controle rigoroso da velocidade, o aprimoramento da infraestrutura, investimentos em transporte público de qualidade e campanhas educativas permanentes e fiscalização efetiva. A regulamentação das atividades sobre duas rodas também é crucial para evitar um sistema de mobilidade que sacrifica vidas e gerações.

