O conceito de “brasileirização” surgiu recentemente como referência em debates entre economias avançadas, como forma de ilustrar dificuldades fiscais que ainda não foram resolvidas. Essas nações enfrentam dívidas em expansão, sistemas de pensões insustentáveis e bancos centrais pressionados por demandas populistas, situação que antes era associada apenas ao Brasil.
A problemática é vista agora como um fenômeno global, com países ricos adotando práticas similares ao Brasil, como flexibilização de tetos de gastos e compromissos financeiros impossíveis de manter. O endividamento afetou até a independência dos bancos centrais e a estabilidade das economias mais desenvolvidas.
No Brasil, o ciclo começou com juros reais acima de 10% para controlar inflação, um dos maiores patamares do mundo. Essa medida reduz o investimento privado para 17% do PIB, pouco mais da metade do observado na Índia, e desvia recursos que poderiam ser aplicados em setores estratégicos.
O gasto com aposentadorias e pensões equivale a 10% do PIB, mesmo com idade média de população inferior à do Japão, onde o percentual é o mesmo. Sem reformas, o custo pode chegar a 16% do PIB até 2060, agravando ainda mais a crise fiscal do país.


