A canetinha emagrecedora, promovida pela EMS como "100% brasileira", terá insumos provenientes da China. No dia 25 de maio, a Anvisa emitiu a Carta de Adequação de Dossiê de Insumo Farmacêutico Ativo (Cadifa) a pedido da EMS, validando a semaglutida do laboratório Sinopep-Allsino Biopharmaceutical.
No dia seguinte, a Anvisa regularizou o registro do Ozivy, a caneta de semaglutida da EMS. Essa ação demonstra que a EMS solicitou e recebeu da Anvisa a certificação dos peptídeos fundamentais para a produção de suas canetinhas. A movimentação da empresa com a Anvisa gera contradições em relação à divulgação que tem sido feita sobre a Ozivy e as canetas de liraglutida já disponíveis, como a Olire e a Lirux.
A EMS tem enfatizado em suas comunicações que estas canetas são resultado da "produção nacional". O discurso foi reforçado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que, em um vídeo postado nas redes sociais no mesmo dia da aprovação da Anvisa à Ozivy, afirmou que a caneta era "100% brasileira".
No entanto, essa afirmação é contestada por relatórios da EMS que indicam que as moléculas de liraglutida e semaglutida provêm de um laboratório na Sérvia, que é controlado pela empresa. Tais documentos não mencionam qualquer movimento da EMS para a liberação de importação dos peptídeos fabricados na China.
A necessidade de insumos da China sugere um possível gargalo no fornecimento via Leste Europeu. Em resposta, a EMS esclareceu que a existência de um fabricante alternativo proporciona maior segurança na cadeia de suprimentos, minimizando riscos de desabastecimento e garantindo a continuidade da oferta de medicamentos para a população.
A EMS destacou que, de acordo com a regulamentação da Anvisa, um mesmo medicamento pode ser fabricado por diferentes fornecedores. A utilização de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) de fabricantes internacionais é uma característica estrutural da indústria farmacêutica global. Estima-se que cerca de 97% dos IFAs usados na fabricação de medicamentos no Brasil sejam de origem estrangeira.