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Política

Carlos Bolsonaro: “O que está por vir pode derrubar o capitão” referência ao seu pai

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O vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, disse, hoje, que “o que está por vir pode derrubar o capitão eleito” – uma referência a seu pai, capitão reformado do Exército Brasileiro. Carlos, porém, não diz exatamente o que estaria prestes a ocorrer.

A mensagem, postada pelo vereador no Twitter, tem um tom enigmático: “Onde estão os caras feias, os identificadores de problemas, os escritores de cartas para aliados ‘desbocados’? O silêncio não tem nada a ver com a descoberta de seus devidos lugares. O que está por vir, pode derrubar o Capitão eleito. O que querem é claro!”.

Juntamente com esse texto, Carlos Bolsonaro divulgou um vídeo de 13 minutos de um youtuber chamado Daniel Lopez, intitulado “Já está tudo engatilhado em Brasília para derrubar Bolsonaro, mas você pode ajudar”. No vídeo, Lopez afirma que “já está tudo engatilhado lá em Brasília, tudo engatilhado para detonar com o governo, pegar o Brasil, esmagar assim, amassar e jogar no lixo”.

Na sequência, ele afirma que Bolsonaro está sob “enorme pressão” entre o Centrão e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Fala, então, da medida provisória (MP) 870, que trata da organização administrativa do governo e que vence em 3 de junho. “Se essa MP caducar […], o Bolsonaro perde toda a estrutura de governo dele, ele vai ter de governar com a estrutura de governo de Michel Temer. Ele teria mais sete ministérios”, informa.

Segundo o youtuber, há “um enorme problema aí” que poderá colocar Bolsonaro numa situação crítica: Se voltar a ter sete ministérios a mais, prossegue, o presidente não terá recursos para arcar com as despesas do governo. O desfecho, conclui, seria pedalada fiscal e crime de responsabilidade, uma situação que poderá servir para justificar um pedido de impeachment.

Ele convoca, então, os apoiadores de Bolsonaro a pressionar o Congresso a fazer votação nominal da MP 870, uma forma de identificar nominalmente cada parlamentar votante. (Do Blog do Magno)

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Política

Tribunal concede habeas corpus a Eduardo Cunha

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Apesar disso, ex-deputado vai permanecer encarcerado

A Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região concedeu ontem um habeas corpus para Eduardo Cunha, ex-deputado e ex-presidente da Câmara.

Mas Cunha permanecerá preso por outros mandados de prisão preventiva decretados pelas justiças federais de Brasília e do Paraná, relativos a suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras e na Caixa Econômica Federal.

No caso em que recebeu o habeas corpus, o ex-presidente da Câmara é acusado de receber propina em troca do favorecimento às empreiteiras Odebrecht e OAS para a Copa do Mundo de 2014. O tribunal suspendeu a prisão por dois votos a um.

A defesa do ex-deputado argumentou que não há mais riscos a ordem pública, já que Cunha “não detém mais grande poder de influência política no âmbito nacional” e que o MDB “não está mais nos Poderes Executivos”. Apontou, também, que não há risco de fuga.

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Política

PGR Aras pede que Toffoli revogue ordem dada ao BC sobre informações fiscais

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Nesta sexta-feira (15), o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, pediu que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, revogue a ordem dada ao Banco Central para enviar os relatórios de inteligência financeira produzidos nos últimos três anos pelo antigo COAF.

Na peça processual, Aras defende que o acesso “livre e concentrado a todo e qualquer RIF ou RFFP (relatórios do Coaf e representações fiscais da Receita) a um único destinatário, além de não encontrar previsão na legislação de regência, é medida que contraria as balizas mínimas estabelecidas da Recomendação nº 29 do Gafi – principal órgão internacional de prevenção à lavagem de dinheiro”.

De acordo com o PGR, a decisão de Toffoli é “desproporcional e põe em risco a integridade do sistema de inteligência financeira, podendo afetar o livre exercício de direitos fundamentais”.

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Política

Parlamentares querem reverter fim da prisão após 2ª instância

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Parlamentares se movimentam para reverter fim da prisão após 2ª instância. Tentativa esbarra em congressistas investigados por corrupção e em discussões jurídicas.

DEBATE – CCJ: kit obstrução e discurso de mais de 100 deputados (Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

Passada a ressaca da derrota por 6 a 5 sofrida no Supremo Tribunal Federal que tirou da cadeia detentos célebres, entre eles o ex-presidente Lula, começou imediatamente um movimento para tentar reverter no Congresso o fim da prisão em segunda instância. Apesar de ter sido decisivo no desempate da votação recente do STF sobre o tema, o presidente da Corte, Dias Toffoli, deu uma sinalização de esperança ao declarar que “não cabe ao Judiciário alterar a lei, mas ao Congresso”, passando a discussão para o Legislativo. Será uma longa batalha. Mesmo os mais otimistas com a possível revisão reconhecem que isso é impossível a curto prazo. Fator considerado fundamental no processo, a pressão popular ainda é tímida se comparada às megamanifestações pró-impeachment de 2015 e 2016 — no último sábado, 9, movimentos como Vem pra Rua e Brasil Livre voltaram às ruas para defender a prisão em segunda instância, com pixulecos e caixões funerários representando o STF. No maior protesto do dia, os grupos não conseguiram unir as duas concentrações e encher a Avenida Paulista, em São Paulo. Ainda assim, ele serviu para mandar um recado claro e manter a chama acesa.

Na próxima quarta, 20, deve avançar uma das alternativas mais promissoras para a virada (veja o quadro abaixo): a PEC 410/2018, que altera o artigo 5º da Constituição — de que ninguém é culpado “até o trânsito em julgado” para “até a confirmação de sentença em grau de recurso” —, deve ser aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. A previsão é que, combinada com um texto paralelo que diminui as chances de recurso, a PEC passe com pelo menos 38 votos favoráveis. O relator da proposta, o deputado Alex Manente (Cidadania-SP), está empolgado, mas admite que a aprovação definitiva (se ela vier) ficará para 2020 e ainda vai demandar “intenso convencimento de deputados e mobilização nas ruas”. Depois de passar pela CCJ, a emenda constitucional terá de ser avaliada por uma comissão especial, que precisa realizar no mínimo quarenta sessões — o recesso parlamentar começa em dezembro e só acaba no fim de janeiro.

Um dos fatores que provocaram distorções na discussão sobre a prisão em segunda instância foi a condenação de um ex-presidente por corrupção. Até hoje, por muitas vezes, a questão fica reduzida ao debate em torno do Lula livre. Só na CCJ já foram consumidas mais de vinte horas de bate-­bocas, com a fala de 108 parlamentares e a oposição, com os petistas à frente, lançando mão dos “kits obstrução” para inverter a ordem do dia ou tirar a matéria da pauta. Outro problema foi a forte associação da Lava-Jato com o tema. À luz das revelações do site The Intercept Brasil em parceria com veículos como VEJA segundo as quais o então juiz Sergio Moro desequilibrou a balança da Justiça agindo ao lado da acusação, os graves problemas na atuação da Força Tarefa passaram a ser utilizados como argumento de que era preciso rever a condenação em segunda instância. Apesar dos excessos, que devem ser devidamente julgados, é inegável que a operação inaugurou um novo padrão de sucesso no combate aos chamados crimes de colarinho-­branco. Desde 2014, pelo menos quarenta réus acabaram nas grades, incluindo Lula e outros peixões graúdos da política nacional, além de boa parte do baronato das empreiteiras.

A sociedade não vê com bons olhos a volta dos tempos em que políticos e empresários corruptos, valendo-se dos melhores advogados e de um arsenal inesgotável de recursos, conseguiam escapar da punição. Os parlamentares não são indiferentes ao clamor da população, é claro, mas sempre pensam antes no próprio umbigo. A questão agora é saber se a classe vai formar maioria para mudar uma regra que pode representar um tiro no próprio pé. Um em cada três deputados (178 no total) na Câmara responde a inquéritos no Supremo Tribunal Federal, boa parte nos processos do mensalão e petrolão. E eles sabem que poderão enfrentar uma situação semelhante à de Lula caso a mudança seja aprovada. Ninguém admite isso em público, mas nos bastidores já há movimentações para abafar a PEC de Manente. Na segunda passada, 11, o PL, que tem quinze investigados, excluiu da CCJ o deputado Capitão Augusto (SP). Antes da decisão final do STF, ele havia entregado a Dias Toffoli um abaixo­-assinado com 87 assinaturas a favor da prisão em segunda instância. A cúpula do PL substituiu o Capitão na CCJ pelo deputado Giovani Cherini (RS), que é contrário à revisão do assunto. Para ser aprovada no Congresso, a PEC precisa ter pelo menos três quintos dos votos na Câmara (308) e no Senado (49). O caminho na segunda Casa parece um pouco mais tranquilo, uma vez que 43 senadores se declararam favoráveis à medida em carta também entregue a Toffoli.

Se houvesse um campeonato de mudanças de entendimento sobre a prisão em segunda instância em curto espaço de tempo, o Brasil seria recordista mundial. O artigo 5º da Constituição de 1988 diz que “ninguém pode ser considerado culpado até o trânsito em julgado”, ou seja, quando não há mais possibilidade de recursos. De 1988 até 2009, no entanto, cada juiz decidia individualmente se o réu deveria ou não ser preso após a condenação em segunda instância. Naquele ano, o Supremo resolveu reforçar a orientação do artigo 5º, definindo que o réu só poderia ser preso quando acabassem todos os recursos. Esse posicionamento durou até 2016, no auge da Operação Lava-Jato, quando a Corte passou a permitir o cumprimento da pena após o segundo grau. No dia 7, o Supremo reviu a postura.

Esse posicionamento vai na contramão do que é praticado no mundo. Os principais países democráticos permitem a prisão em segunda instância. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, os réus chegam a ser presos até antes do julgamento, após se declararem culpados. Na Alemanha, França e Itália, o cumprimento da pena ocorre em segundo grau, com um detalhe: na primeira instância, não é um juiz sozinho que decide, mas um colegiado. Os especialistas destacam que até existem países nos quais a pena só começa depois do “trânsito em julgado”, mas não há nenhum no mundo que tenha quatro instâncias como o Brasil.

A cúpula do Congresso está dividida quanto ao tema da segunda instância. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, vem dando sinais simpáticos à ideia e até sugeriu ao deputado Manente alguns caminhos para contornar obstáculos para a aprovação da sua PEC. O par de Maia no Senado, Davi Alcolumbre, é mais resistente à medida. Na terça 12, ironizou o barulho que os colegas estavam fazendo em cima da matéria, propondo uma “solução” radical. “A gente podia fazer uma nova Constituinte, e todo mundo renuncia ao seu mandato e faz logo uma nova Constituinte, se essa é a prioridade”, disse. Há uma manifestação prevista para ocorrer na Avenida Paulista no próximo dia 17, com o objetivo de fazer o caldeirão das ruas atingir o ponto de fervura ideal para permitir a virada do jogo. Os entraves são enormes, mas o Brasil precisa de uma vez por todas resolver a questão de qual regra vale para combater e punir o crime. Colocar na cadeia depois de um julgamento rápido e justo os poderosos que andaram fora da linha foi uma das melhores ideias que surgiram por aqui nos últimos anos. Seria bom continuar seguindo esse caminho. Da Veja – Por Eduardo Gonçalves

 

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