No último sábado, 1º de agosto de 2026, o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, anunciou que a cidade autônoma de Ceuta havia alcançado uma "normalidade razoável". Contudo, a realidade nas ruas e praias próximas à fronteira com o Marrocos revela uma situação diferente, com pelo menos 400 migrantes ainda presentes na região.
Grande-Marlaska afirmou que a maioria dos imigrantes que ingressaram no enclave já retornou ao Marrocos, com o auxílio de forças militares e policiais espanholas. O governo espanhol reportou que aproximadamente 48.000 pessoas conseguiram voltar ao seu país de origem. Essa declaração, no entanto, não impediu que manifestações ocorressem em várias partes da Espanha, com críticos da abordagem do primeiro-ministro Pedro Sánchez em relação à migração.
Em protestos realizados em frente ao consulado do Marrocos em Barcelona e na embaixada em Madri, apoiadores de partidos de centro-direita e direita expressaram sua indignação. Durante as manifestações, os participantes dirigiram ofensas ao premiê, refletindo um descontentamento crescente com a gestão da crise migratória.
Relatos do New York Times indicam que os homens que permanecem em Ceuta estão reunidos em uma praia, enfrentando escassez de alimentos e água. A situação se agravou após uma decisão do Supremo da Espanha, que restringiu as deportações de imigrantes que chegam pelo mar. Em 8 de julho, o tribunal decidiu que esses imigrantes não poderiam ser deportados de forma sumária, como ocorre com aqueles que cruzam a fronteira terrestre ou aérea.
Essa mudança na legislação resultou no aumento do número de imigrantes que, na última semana, chegaram a Ceuta nadando. Apesar de sua chegada ao enclave, esses imigrantes não têm automaticamente o direito de circular pela União Europeia, uma vez que Ceuta não integra o espaço Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre os países participantes.
Para se deslocar de Ceuta para a Espanha peninsular e outros países da União Europeia, é necessário passar por controles documentais em portos e aeroportos. Apesar das dificuldades, muitos marroquinos veem a chegada ao enclave como um primeiro passo em direção à regularização de sua situação migratória.