Zhang Youxia, figura militar de alto escalão e aliado próximo, é alvo de inquérito por corrupção e deslealdade, em mais um capítulo das purgas de Xi.
A China investiga o general Zhang Youxia e Liu Zhenli, por minar a autoridade de Xi Jinping e corrupção, reforçando a campanha de purgas militares.
A China anunciou a investigação contra o general Zhang Youxia, o segundo na hierarquia militar do país, e o chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto da Comissão Militar Central (CMC), Liu Zhenli. Um editorial no PLA Daily, jornal oficial do Exército Popular de Libertação (EPL), e divulgado pela agência Xinhua, indica que as ações sublinham a “tolerância zero na luta contra a corrupção” promovida pelo presidente Xi Jinping.
Este movimento representa um novo capítulo nas purgas que visam consolidar a autoridade de Xi sobre as Forças Armadas.
Zhang Youxia, de 75 anos, é uma figura proeminente, ocupando o cargo de primeiro vice-presidente da CMC e sendo um dos 24 membros do Politburo do Partido Comunista Chinês (PCC). As acusações contra ele e Liu Zhenli são graves, afirmando que ambos “traíram profundamente a confiança que lhes foi depositada” e “violaram gravemente o sistema de responsabilidade suprema que reside no presidente da CMC [Xi]”. O editorial aponta que os generais agravaram problemas políticos e de corrupção que ameaçam a autoridade absoluta do Partido sobre o Exército.
Purgas e Consolidação de Poder
O documento oficial critica os generais por “mancharem a imagem e a autoridade dos líderes da CMC” e causarem “graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política no Exército”. Tais ações teriam um “impacto negativo significativo para o Partido, o país e o Exército”, comprometendo o ambiente político das Forças Armadas e a preparação para o combate.
O PLA Daily reitera que a erradicação da corrupção é vista como um meio para tornar o Exército “mais forte, puro e com maior capacidade de combate”.
A investigação contra Zhang é particularmente notável, dado que ele era considerado um dos aliados militares mais próximos de Xi Jinping, com laços familiares que remontam à guerra civil chinesa. Fontes anônimas citadas pelo South China Morning Post sugerem que Zhang foi detido e enfrenta acusações de corrupção, falha no controle de colaboradores e familiares, e omissão na comunicação de problemas à cúpula do PCC.
A ausência de Zhang e Liu de um seminário do PCC presidido por Xi levantou especulações sobre seu paradeiro antes do anúncio oficial.
Desde que assumiu o poder em 2012, Xi Jinping tem implementado sucessivas purgas no alto comando militar. O objetivo é duplo: combater a corrupção endêmica e garantir a lealdade inquestionável dos comandantes militares ao PCC e à sua liderança.
Durante o terceiro mandato de Xi, iniciado em 2022, a Comissão Militar Central teve seu número de membros reduzido, refletindo a intensificação dessas ações.
Vários líderes militares de destaque foram alvo dessas purgas nos últimos anos, incluindo ex-ministros da Defesa como Wei Fenghe e Li Shangfu, além de comandantes de diferentes ramos das Forças Armadas. O caso de He Weidong, que ascendeu rapidamente e depois desapareceu em março de 2025 antes de ser formalmente acusado de corrupção, ilustra a abrangência e a impiedosa natureza dessas campanhas, consolidando o controle de Xi Jinping sobre o vasto aparato militar chinês.


