Inteligência dos EUA questiona versão russa sobre suposto ataque com drones, que teria visado um alvo militar ucraniano na região de Novgorod.
A CIA não encontrou evidências de ataque à residência de Putin, indicando que o alvo ucraniano era militar, levantando dúvidas sobre a versão russa.
Fontes da inteligência dos Estados Unidos não encontraram indícios que corroborem a alegação russa de um ataque à residência de campo do presidente Vladimir Putin. Conforme reportado por um jornal norte-americano, a Ucrânia teria como alvo um objetivo militar já previamente atacado na região de Novgorod, onde se localiza a propriedade de Putin, e não as proximidades de sua residência em Kyiv, como sugerido.
A revelação surge em um momento de crescente tensão e desconfiança. O presidente Donald Trump, por exemplo, compartilhou um editorial do New York Post que acusa Moscou de fabricar o incidente para sabotar o processo de paz com Kyiv.
O artigo criticou duramente o Kremlin, sugerindo que sua campanha contra a Ucrânia se baseia em falsidades e que suas alianças com países como Irã, Coreia do Norte e Venezuela contrariam os interesses de Washington.
Anteriormente, o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, afirmou que as forças russas frustraram um “ataque terrorista” com 91 drones de longo alcance contra a residência oficial de Putin em Novgorod, na noite de 28 para 29 de dezembro de 2025. Contudo, Kyiv negou veementemente a acusação.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, enfatizou que os aliados de seu país possuem meios técnicos para verificar a falsidade da alegação russa, confirmando que sua equipe de negociação já havia analisado os detalhes e concluído que a informação era inverídica.
A alta representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, também questionou a veracidade do suposto ataque, descrevendo-o como uma “distração deliberada”. O governo ucraniano reiterou que Moscou não apresentou provas concretas para sustentar sua acusação, o que levou a diplomacia russa a ameaçar um endurecimento de sua posição nas negociações de paz mediadas pela Casa Branca.
Essa súbita escalada de retórica ocorre após sinais de avanços nas discussões entre Estados Unidos e Ucrânia. Em sua mensagem de Ano Novo, Zelensky havia declarado que a proposta de um acordo de paz com a Rússia estava “90% pronta”, mas ressaltou que os “10% restantes” seriam os mais decisivos para determinar o futuro da paz na Ucrânia e na Europa.
Os principais pontos de discórdia persistem, incluindo a exigência ucraniana por fortes garantias de segurança para evitar futuras invasões e a recusa de Kyiv em aceitar a legitimação da anexação russa de territórios ocupados. A falta de provas sobre o suposto ataque à residência de Putin adiciona mais um elemento de complexidade e desconfiança a um cenário já delicado das negociações.