As substâncias químicas conhecidas como PFAS, utilizadas para conferir resistência a produtos contra calor, manchas, água e gordura, são consideradas "químicas eternas" devido à sua estrutura química robusta. Essas substâncias, que incluem per e polifluoroalquiladas, têm gerado preocupação ambiental, especialmente quando são liberadas em rios e oceanos, resultando em contaminação.
Os efeitos dessas substâncias no organismo humano ainda são pouco compreendidos, mas há indícios de que podem afetar o material genético e aumentar os riscos de câncer. Em resposta a essa questão, cientistas na Alemanha estão experimentando duas novas tecnologias para destruição do PFAS, com o objetivo de evitar que essas substâncias contaminem os recursos hídricos. As abordagens incluem cavitação hidrodinâmica e plasma atmosférico frio com dispersão de gás.
As investigações estão sendo conduzidas por uma equipe do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ), e os resultados preliminares foram divulgados em dois estudos recentes. O primeiro, publicado em março no Chemical Engineering Journal Advances, e o segundo, em junho, na revista Scientific Reports.
No método de cavitação hidrodinâmica, a água contaminada com PFAS é submetida a uma pressão que gera bolhas em uma zona de compressão. O resultado é um estourar dessas bolhas, expondo as substâncias a altas temperaturas. Durante o processo, o PFAS é degradado e o flúor é mineralizado, demonstrando que a substância está se separando. Os pesquisadores indicam que estão buscando aumentar a eficiência do processo, com a meta de alcançar uma degradação superior a 80% dos PFAS na solução.
A segunda tecnologia, que utiliza plasma atmosférico frio com dispersão de gás, opera em condições normais e sem aditivos químicos. Nesse método, o plasma é gerado na superfície da água contaminada enquanto o gás é simultaneamente introduzido. Os PFAS se ligam às bolhas de gás, que ao subirem permitem que a água seja circulada continuamente, levando os compostos para a superfície, onde são decompostos pelo plasma. Os resultados mostraram uma degradação quase completa dos PFAS de cadeia curta e longa, apresentando uma eficiência maior em comparação com a cavitação, embora consuma mais energia e produza subprodutos ainda não totalmente analisados quanto à segurança.
Para o avanço dos experimentos e o desenvolvimento de um produto comercializável, os cientistas planejam unir as vantagens de ambas as tecnologias em um único método de tratamento, buscando minimizar a criação de novas substâncias potencialmente prejudiciais.