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Classificar PCC e CV como terroristas é estratégia para fortalecer Trump, diz especialista

Começa a valer nesta sexta-feira (5) a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV)...

Começa a valer nesta sexta-feira (5) a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Mas o que, de fato, isso muda? O que pode acontecer com o Brasil a partir de agora?

São várias perguntas que levam a um mesmo ponto: o principal interesse por trás da estratégia adotada pelos Estados Unidos. Para o professor de Economia da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Feldmann, a resposta para todas elas está nas eleições de meio de mandato nos EUA.

“Donald Trump precisa que seu partido tenha um bom desempenho nas eleições legislativas que serão realizadas em novembro (deste ano). Se os republicanos perderem força na Câmara e no Senado, ele poderá enfrentar mais dificuldades para aprovar sua agenda e até mesmo ficar mais vulnerável a iniciativas de impeachment. Com essa decisão de classificar grupos como terroristas, o presidente americano se apresenta como um grande herói contra o tráfico de drogas”, afirma.

Em novembro de 2026, os eleitores norte-americanos irão às urnas para renovar todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes, 35 dos 100 senadores, 39 dos 50 governadores, além de ocupantes de cargos estaduais e locais.

Feldmann explica que Trump escolheu um lado político no Brasil: a direita. “Ele precisa fortalecer a direita em vários países e, para isso, vem propondo tarifas ao Brasil”, afirma.

Medida impacta segurança e economia

Já na área da segurança, o Brasil tem muito a perder. Para o professor, o intercâmbio de informações entre a Polícia Federal do Brasil, o FBI (Serviço Federal de Investigação) e a DEA (Agência de Repressão às Drogas dos Estados Unidos) pode ser prejudicado. “A partir do momento em que há a classificação dessas organizações como terroristas, as informações passam a ser concentradas pela CIA (Agência Central de Inteligência), que não costuma compartilhá-las. Isso pode ampliar o espaço de atuação das facções”, alerta Feldmann.

Na economia, ter organizações classificadas como terroristas atuando no país pode prejudicar a imagem do Brasil. “Quem vai querer investir em um país associado ao terrorismo?”, questiona. O professor da USP, no entanto, não acredita que o Brasil vai enfrentar uma situação semelhante à do México em 2025. Naquele ano, três bancos foram sancionados e dois tiveram operações bloqueadas por bandeiras internacionais de cartões, sob acusação de lavagem de dinheiro para o narcotráfico.

“Acredito que isso não vá ocorrer, porque o Brasil é um dos países em que as operadoras de cartões mais lucram. Mas é aí que entra a tentativa do presidente norte-americano de enfraquecer o Pix para enfraquecer o sistema bancário brasileiro e, assim, fortalecer as empresas americanas de cartões”, afirma.

Ele pontua que o Brasil foi um dos primeiros países a implantar o Pix, eliminando modalidades de transferência como TED e DOC.

México, Colômbia e Venezuela

Há mais de um ano os EUA também classificaram grupos terroristas no México, na Venezuela e na Colômbia.

A classificação significou, em alguns casos, penas mais duras para criminosos capturados e extraditados para os Estados Unidos. Também ocorreram sanções econômicas e um monitoramento mais rigoroso das transações financeiras dos grupos nos EUA e com empresas que possuem laços em território americano.

Na Venezuela, o ponto culminante foi a invasão armada com a captura do então presidente, Nicolás Maduro, em janeiro deste ano. Porém, designar organizações como terroristas não é um requisito legal para a autorização de operações da inteligência americana no exterior.

Presos a 154 dias o então presidente da Venezuela, Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram detidos após uma operação militar, acusados de nacrotráfico. Os dois encontram-se em uma unidade de segurança máxima no Brooklyn, em Nova York.

O casal responde a quatro acusações: conspiração para cometer narco-terrorismo; conspiração para importar cocaína; posse e conspiração para obter metralhadoras e outros armamentos.

Lista dos EUA de Organizações Terroristas Estrangeiras:

  • México: Cartéis de Sinaloa, Jalisco Nova Geração, Nordeste, Golfo, Unidos e Nova Família Michoacana;
  • Venezuela: Trem de Arágua e Cartel dos Sóis;
  • Colômbia: Clã do Golfo;
  • Equador: Grupos Los Choneros e Los Lobos;
  • Brasil: PCC e CV;
  • Grupos Bairro 18 e Mara Salvatrucha (MS-13), atuam em vários países da América Central e nos EUA.

Todas essas organizações estão incluídas na lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Departamento do Tesouro americano. Isso significa que qualquer empresa ou indivíduo que forneça apoio material para membros ou instituições ligadas a essas organizações pode enfrentar penalidades nos EUA.

Por Diário de Pernambuco

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