Viajar faz bem ao corpo, à mente e às relações sociais — e a ciência confirma. Com o aumento da expectativa de vida, pessoas acima dos 50 anos têm ampliado sua presença no turismo, seja em viagens solo, em família ou em grupos. Para que a experiência seja positiva do início ao fim, no entanto, a autonomia precisa caminhar ao lado de cuidados básicos com a saúde, como destaca a médica geriatra Fernanda Sperandio.
Entenda
- Viajar reduz riscos de demência, doenças cardíacas e mortalidade
- Planejamento de saúde é essencial antes do embarque
- Movimento, medicação e alimentação evitam imprevistos
- Viagens solo são possíveis, desde que bem organizadas
O desejo de conhecer novos lugares não tem prazo de validade. Segundo relatório da Global Coalition on Aging em parceria com o Transamerica Center for Retirement Studies, divulgado em março de 2025, viagens regulares podem reduzir o risco de mortalidade em 36,6% e o de Alzheimer em até 47%. O impacto positivo está associado ao estímulo cognitivo, à socialização e a atividades culturais, como visitas a museus, apresentações musicais e pontos históricos.
O estudo aponta ainda que viajar ajuda a combater um dos principais desafios do envelhecimento: a solidão. “Quando os idosos têm acesso a oportunidades de viagem, eles se mantêm mais saudáveis por mais tempo”, destaca o documento.
Para que esses benefícios não sejam interrompidos por intercorrências médicas, a geriatra Fernanda Sperandio, da MedSênior — plano de saúde voltado ao público 50+ — reforça que o planejamento é parte fundamental da experiência.
“Viajar pode ser um momento de convivência com amigos, filhos e netos, ou um exercício importante de autonomia. Mas o idoso não deve embarcar se não estiver se sentindo plenamente bem”, alerta.
Saúde começa antes da viagem
O primeiro passo é realizar um check-up antes do embarque. Idosos com doenças crônicas precisam estar com o quadro clínico estabilizado e a medicação ajustada.
“Se a pressão está descontrolada ou há investigação cardíaca em andamento, o ideal é adiar a viagem”, orienta a médica.
Durante o trajeto, o maior inimigo é o imobilismo. Em viagens longas, Fernanda recomenda caminhar sempre que possível. No avião, levantar-se a cada duas horas ajuda a prevenir trombose e dores articulares. Em alguns casos, o uso de meias elásticas pode ser indicado, desde que com orientação médica.
Outro ponto essencial é a organização dos medicamentos. A recomendação é levar a quantidade habitual e uma reserva extra para alguns dias, prevenindo atrasos ou imprevistos. “Também é fundamental manter os horários das doses, como se estivesse em casa”, reforça.
Alimentação, seguro e autonomia
Mudanças bruscas na rotina podem afetar mais o organismo após os 50 anos. Por isso, manter horários regulares de alimentação e optar por comidas leves e conhecidas ajuda a evitar mal-estares, especialmente durante deslocamentos.
O seguro saúde também entra na lista de itens indispensáveis. “Muitas pessoas tentam economizar nessa etapa, mas é um risco desnecessário. O seguro garante atendimento rápido em situações inesperadas”, afirma Fernanda.
Para quem deseja viajar sozinho, a autonomia é vista como um ganho para o bem envelhecer. Não há contraindicação, desde que o idoso tenha boas condições físicas e clínicas. A médica orienta portar sempre um documento com contatos de emergência, informações sobre alergias e medicamentos em uso, além de compartilhar o roteiro completo com familiares.
“Com organização e cuidado, viajar continua sendo uma fonte de prazer, independência e saúde em qualquer fase da vida”, conclui a especialista.


