A confiança do empresário do setor industrial no Brasil chegou, em janeiro deste ano, ao menor nível para o mês em uma década, desde 2016. É o que mostram dados divulgados nesta quarta-feira (21/1) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Segundo o levantamento, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) avançou apenas 0,5 ponto em janeiro de 2026, para 48,5 pontos. Essa leve alta não impediu que o indicador registrasse o pior resultado para o mês em 10 anos.
Em janeiro de 2016, quando o país já enfrentava os efeitos de uma dura recessão econômica, o ICEI marcava 36,6 pontos.
O indicador da CNI varia de 0 a 100 pontos. Valores abaixo de 50 pontos mostram que há falta de confiança dos empresários do setor.
Condições atuais e expectativas
De acordo com os dados da pesquisa da CNI, o Índice de Condições Atuais avançou 0,2 ponto em janeiro deste ano, chegando a 44 pontos (ainda abaixo dos 50, o que indica falta de confiança). Para a CNI, o avanço decorre de uma percepção menos negativa dos industriais sobre as condições das empresas.
Já o Índice de Expectativas, por sua vez, teve um crescimento de 0,7 ponto, para 50,7 pontos. Esse movimento indica que os empresários têm expectativas mais positivas para os próximos seis meses.
O que diz a CNI
Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a maior causa para a falta de confiança dos empresários do setor industrial é a taxa básica de juros (a Selic) em patamar ainda elevado, de 15% ao ano.
“A confiança do empresário vem baixa desde o início do ano passado, respondendo à elevação da taxa Selic, que aconteceu a partir do fim de 2024”, observa. “À medida que a taxa de juros aumentou e os efeitos foram mais sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”, explica Azevedo.
A pesquisa
A edição de janeiro do levantamento da CNI sobre a confiança do empresário industrial ouviu 1.058 empresas – das quais 426 pequenas, 383 médias e 249 grandes – entre os dias 5 e 9 de janeiro de 2026.


