No dia 5 de outubro de 2020, data em que o sistema de pagamentos instantâneos Pix começou a fase de cadastros, o então presidente Jair Bolsonaro afirmou que não sabia do que se tratava a nova ferramenta do Banco Central. Durante um encontro com apoiadores, ao ser parabenizado pela implementação do Pix, Bolsonaro confundiu a ferramenta com um pacote governamental voltado para a aviação civil.
Esse episódio trouxe à tona um contraste com as declarações do senador Flávio Bolsonaro, que tem insistido que seu pai é o criador do sistema. Essa defesa acontece em um contexto de embate entre governo e oposição, especialmente em relação ao imposto sobre produtos brasileiros imposto pelos Estados Unidos e ao desconforto do governo norte-americano com o funcionamento do Pix.
Na ocasião do lançamento do Pix, um apoiador elogiou Bolsonaro, afirmando que o novo sistema beneficiaria a população, sendo gratuito e funcionando 24 horas por dia, em substituição ao DOC e ao TED. A resposta do então presidente, no entanto, desviou do tema, ao mencionar um pacote de desburocratização da aviação civil, que seria anunciado naquela semana pelo então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.
Quando o apoiador corrigiu Bolsonaro, explicando que se referia ao sistema de transferências do Banco Central, o ex-presidente respondeu que ainda não tinha tomado conhecimento do Pix e prometeu discutir o assunto com o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Na mesma data, o Banco Central registrou a criação de mais de 1 milhão de chaves em apenas 3 horas e 30 minutos, um marco significativo para a nova plataforma de pagamentos. O evento também se deu em um momento de atenção internacional, com a avaliação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a ferramenta, que ocorreu após uma reunião de Flávio Bolsonaro com ele na Casa Branca. Na ocasião, Flávio comemorou a decisão dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou Flávio, associando a viagem do senador aos anúncios do governo dos EUA. Durante um evento em Goiás, Lula chamou o senador de "traidor da pátria" e destacou que "O Pix é do Brasil". Flávio, em resposta em Minas Gerais, levantou um cartaz afirmando que "O Pix é do Brasil e do Bolsonaro" e alegou ter pedido a Trump para não taxar os produtos brasileiros, atribuindo a possível nova tarifa à relação diplomática entre os governos.