Henrique Vorcaro, beneficiário de 80% das empresas de saúde Affiance Life e Simetria Planos, concedeu ao filho, Daniel Vorcaro, a possibilidade de adquirir os ativos por R$ 1, caso o proprietário do Banco Master assim desejasse. A minuta do contrato, encontrada pelo liquidante do Banco Master nos e-mails pessoais de Henrique, fundamenta o argumento de que ele atua como um "laranja" de seu filho. Ambos estão em prisão preventiva, e o pedido de liberdade de Henrique foi devolvido ao plenário da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ministro Gilmar Mendes nesta terça-feira (16).
Os documentos encontrados corroboram a suspeita de que a gestão da Affiance e da Simetria Planos está nas mãos da família Vorcaro. O liquidante Fernando Alves Vieira e André Beraldo de Morais, que controlam formalmente a Simetria por meio de uma rede de empresas, também são considerados "laranjas" de Henrique Vorcaro. Em outro contrato descoberto, pai e filho acordaram que Henrique compraria propriedades em nome de Daniel através de intermediários, transferindo-as posteriormente para o filho mediante solicitação e pagamento de R$ 1.
No processo em que busca recuperar bens nos Estados Unidos que estão registrados em nome de seu pai e de sua irmã, incluindo uma mansão na Flórida avaliada em US$ 32 milhões, o liquidante do Banco Master argumenta que essas transações fazem parte de um esquema mais amplo. Esse esquema teria permitido que Daniel Vorcaro desviasse e ocultasse ativos do Banco Master por meio de entidades sob seu controle.
O liquidante afirma que, por meio dos contratos de opção de compra, ficou evidente a intenção de Daniel de deter, direta ou indiretamente, participações correspondentes a pelo menos 50% dos ativos formalmente detidos por Henrique Vorcaro. Uma das estratégias utilizadas para desviar ativos do Banco Master seria a formalização de empréstimos a empresas de saúde que nunca foram quitados.
Entre 2019 e 2020, o grupo, segundo o liquidante, tomou pelo menos R$ 170 milhões em créditos com o Banco Master e fundos sob sua gestão, utilizando empresas como a Promed. A investigação sugere que não havia intenção de saldar as dívidas, que foram utilizadas para capitalizar as empresas antes de serem vendidas a terceiros.
Em uma das transações, Natalia Vorcaro teria facilitado o processo para o irmão Daniel, devolvendo 32% de suas cotas um mês antes da venda do grupo, o que levanta mais questões sobre a natureza das operações realizadas pela família Vorcaro.