A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), sediada em Belém, Pará, encerrou no sábado sem mencionar explicitamente a principal causa do aquecimento global: o uso de combustíveis fósseis. A ausência de líderes de grandes potências como Estados Unidos, China e Índia, além da forte presença da indústria petrolífera, marcaram o evento. Um pequeno incêndio no pavilhão chegou a atrasar as negociações, que já se mostravam complexas desde o início.
A plenária final foi palco de divergências e objeções, com países como a Colômbia defendendo a inclusão da “transição para longe dos combustíveis fósseis” em um plano de ação. Este plano, no entanto, representaria apenas uma disposição para ser fortalecida no futuro, substituindo metas não cumpridas desde o Acordo de Paris em 2015.
Analistas consideraram o documento final um retrocesso em relação a conferências anteriores devido à omissão do termo “fóssil”, o que foi visto como um avanço por países liderados pela Arábia Saudita. Apesar disso, a COP30 trouxe algumas compensações, como a participação inédita de comunidades indígenas, a promessa de recursos para um fundo de preservação florestal e a perspectiva de aumentar o financiamento global para o combate à crise climática em países pobres.
O presidente da COP, André Corrêa do Lago, expressou esperança nos próximos passos, prometendo criar mapas para reverter o desmatamento e promover a transição para longe dos combustíveis fósseis, visando à COP31 na Turquia.
A COP30, considerada a “COP da verdade”, revela a falta de vontade política e viabilidade econômica para mudar o modelo de civilização baseado em combustíveis fósseis.