O governo federal determinou, em 29 de março de 2026, um contingenciamento de R$ 4,363 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa. Essa decisão impactou diretamente as operações do Exército, que suspendeu atividades de monitoramento e combate ao crime organizado nas fronteiras do país. A informação foi divulgada com base em fontes militares que acompanhavam as ações em campo.
Desse total bloqueado, aproximadamente R$ 1,5 bilhão era destinado especificamente ao Exército, recursos esses que financiavam operações do Comando Militar da Amazônia e do Comando Militar do Oeste. Essas operações são cruciais, uma vez que atuam em regiões de fronteira com Colômbia, Peru e Bolívia, áreas estratégicas para o tráfico internacional de drogas, contrabando de armas, garimpo ilegal e desmatamento clandestino.
A principal operação afetada por essa medida foi a Operação Ágata, que é realizada em parceria com outros órgãos de segurança nas faixas de fronteira da Amazônia e do Centro-Oeste. Antes da suspensão, em 2026, a operação havia apreendido mais de 15 toneladas de drogas, neutralizado 62 dragas utilizadas em garimpos ilegais e paralisado 117 balsas clandestinas em áreas de fronteira.
Esse contingenciamento no Ministério da Defesa foi parte de um bloqueio geral de R$ 22,1 bilhões aplicado pelo governo no Orçamento de 2026. Outras pastas também sofreram cortes significativos, como o Ministério das Cidades, com R$ 3,32 bilhões, o Ministério da Educação, com R$ 1,605 bilhão, o Ministério dos Transportes, com R$ 1,5 bilhão, o Ministério da Fazenda, com R$ 1,396 bilhão, e o Ministério da Saúde, com R$ 1,002 bilhão.
A interrupção das operações nas fronteiras coincide com a classificação dos EUA, que considerou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. O governo Lula contestou essa medida americana, argumentando em defesa da soberania nacional. Contudo, a oposição destacou a contradição em que o Planalto se encontra ao rejeitar essa classificação como interferência externa, enquanto corta o orçamento das operações militares que monitoram as fronteiras onde essas facções atuam.