Com dois anos e meio de mandato, a governadora Raquel Lyra ainda não tinha definido uma base numérica na Assembleia Legislativa, precisando a cada novo projeto conversar com um a um dos deputados para convencê-los a votar a favor das pautas governistas. Por incrível que pareça se conseguiu saber o tamanho das bancadas do Governo e da Oposição através das 18 assinaturas postas em um pedido de CPI para investigar as contas de publicidade do Governo publicada esta segunda pela manhã no Diário Oficial do Poder Legislativo com a inclusão do nome do presidente da Casa, deputado Álvaro Porto.
Levando em conta as 18 assinaturas e mais a deputada do PSOL, Dani Portela, autora do pedido de CPI cujo nome não constou no final do documento porque já estava explícito no pedido de instalação, a Oposição tem hoje na casa 19 votos. Como são 49 os deputados, a governadora conta com certeza com 30 parlamentares. Mas há um porém em tudo isso: embora consiga aprovar o que desejar no plenário, Raquel não tem conseguido que as pautas mais importantes cheguem à deliberação geral dos deputados, como é o caso dos pedidos de empréstimo, pois são retidas nas comissões onde a oposição é maioria.
É o caso da CPI mas não por conta das comissões e sim porque o regimento da casa estabelece que se uma Comissão Parlamentar de Inquérito tem 17 assinaturas depende apenas do presidente da Casa a deliberação sobre a aceitação ou não do pedido. Mas como o próprio presidente assinou o requerimento de criação fica implícito que ele acatará. Ontem mesmo Álvaro não se pronunciou sobre o caso, deixando que a própria Dani Portela falasse com a imprensa. Ela explicou que agora abre-se um prazo de 10 dias para que os partidos indiquem os membros da CPI e 15 dias para que haja a instalação. Dani pode ser escolhida como presidente ou vice. Só não pode ser relatora.
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