Entrevistado pelo Programa do Farol no Youtube, o professor da UPE (Universidade de Pernambuco) e psicólogo hospitalar, coordenador do serviço psicossocial e dos leitos integrais do Hospam, Marcelo Leite, conversou sobre a situação de atendimentos dos leitos integrais para saúde mental no Hospital Regional Agamenon Magalhães e revelou um cenário preocupante.
“Do dia 2 de janeiro a 31 de dezembro, no ano de 2019, eu só tive dois plantões em que eu não atendi tentativa de suicídio. E isso é muito preocupante”. O dado revela a alta quantidade de pessoas afetadas por distúrbios, transtornos e surtos psicóticos em Serra Talhada e região.
DESAFIO ANTIGO AINDA CONTINUA
Um outro desafio revelado por Marcelo ainda é antigo. O fato da unidade receber pacientes de baixa complexidade, que deveriam estar sendo atendimentos nos postos de saúde ligados ao município. Marcelo lembrou que o Hospam é um hospital para atender casos de alta complexidade de toda a região e não apenas de Serra Talhada.
E a procura das pessoas com casos considerados de não urgência e emergência continuam gerando superlotação de leitos. Atualmente, o Hospam possui apenas quatro leitos integrais para saúde mental. Marcelo revelou que já chegou a atender 12 pessoas com emergência na saúde mental num só plantão. O que mostra também um déficit na quantidade de leitos no setor, bem como a necessidade de ampliação e que a SES (Secretaria Estadual de Saúde) já sabe disso.
A situação se agrava, nos conta o coordenador, por ser cada vez maior a recorrência das pessoas não procurarem os postos de saúde ligados à Prefeitura para casos considerados simples. “Nós somos um equipamento de urgência e emergência, é para situações agudas, mas o que acontece? O Hospam tem uma demanda regional, não atende só Serra Talhada”, lembrou Marcelo.
“E nós atendemos [em 2025] 35.001 pacientes classificados como verde [casos simples, de baixa complexidade]. O paciente de saúde mental [para utilizar os leitos integrais do Hospam deveria ser] de surto psicótico, com intoxicação por substâncias psicoativas, tentativa de suicídio, fora esses quadros não é obrigatoriedade dos leitos integrais. É papel da atenção média, os Caps [Centro de Atenção Psicossocial, ligados à rede do município]”, detalhou.
Marcelo frisa que foram 35 mil atendidas pelo Hospam, mas que poderiam recorrer ao posto de saúde. “E aí você encontra no hospital um público inchado que é classificado como verde. Foram 35.001 pessoas que poderiam ser atendidas em um posto de saúde. Foram 5.710 pessoas classificadas na ficha azul [também de atendimento de baixa complexidade]”, detalhou. Apesar disso, o coordenador do serviço psicossocial do Hospam tranquilizou dizendo que, mesmo assim, o hospital nunca fechou as portas para os atendimentos simples.
Os profissionais recebem os casos de baixa complexidade mediante uma triagem que vai das cores verde e azul (casos simples, que poderiam ser resolvidos no posto de saúde e por isso demandam mais tempo para serem atendidos), laranja, amarelo (casos mais agudos que demandam menos tempo para serem atendidos) e vermelho (casos mais graves que precisam de atendimento imediato).
Um problema recorrente, lembra Marcelo, é que muitas pessoas acabam chegando ao Hospam querendo ser atendidas como urgência ou emergência, mesmo triadas nas cores verdes e azul. E acabam se revoltando de forma equivocada, por desconhecerem a natureza clínica do próprio hospital. Mesmo assim, os atendimentos não lhe são negados.
Por Farol de Notícias


