A dívida pública emergiu como um dos principais entraves à estabilidade econômica e política global. Após os estímulos fiscais da pandemia de covid-19, a situação se agravou com o ciclo de juros iniciado em 2021 para conter a inflação. Projeções do FMI indicam que, até 2026, sete das 11 maiores economias do mundo terão dívidas superiores ao PIB e resultados nominais negativos em 2023, ou seja, gastarão mais do que arrecadam, sem considerar os juros da dívida.
No Brasil, dados do Banco Central mostram que a dívida pública era de 78,6% do PIB em novembro de 2025. Essa diferença em relação às projeções do FMI se deve à forma como os títulos são contabilizados. Enquanto o FMI considera todos os títulos do Tesouro, incluindo os que estão na carteira da autoridade monetária, o Banco Central exclui esses valores. Essa contabilidade diferenciada explica a discrepância nos números.
Países como Japão, Itália e EUA enfrentam dificuldades orçamentárias, com déficits recorrentes que exigem a emissão constante de títulos, resultando em juros elevados que consomem espaço para investimentos. Economistas chamam esse fenômeno de “efeito bola de neve”, em que o crescimento da dívida por juros supera o crescimento econômico nominal. O desafio não está apenas na alta da dívida, mas em como sua trajetória consome a liberdade fiscal.
Deficits constantes exigem financiamento, e juros elevados aumentam o custo de manutenção do estoque da dívida, pressionando orçamentos e restringindo políticas sociais e investimentos estratégicos. Essa dinâmica leva a um ciclo vicioso, onde a trajetória da dívida se torna a maior preocupação fiscal, especialmente quando a taxa de juros é consistentemente maior do que a taxa de crescimento econômico. Neste contexto, a arrecadação pode falhar em cobrir nem os juros, criando um cenário de “superdívida”, que demanda reformas monetárias e fiscais para conter a progressão da dívida.


