O clima político na Câmara Municipal atingiu o ponto de ebulição nesta quarta-feira (25). O que antes eram sussurros de descontentamento nos corredores, transformou-se em um brado aberto de revolta contra a gestão do prefeito Xicão Tavares. A insatisfação, que já vinha sendo alimentada por promessas não cumpridas, agora contamina inclusive os parlamentares que compunham a base aliada do governo.
A tensão não é de hoje, mas os eventos das últimas duas sessões deixaram claro que a governabilidade de Xicão está por um fio.
O Estopim: O Recado do vereador Derley da Malhada da Areia. A faísca inicial ocorreu na semana passada, durante a abertura dos trabalhos legislativos. O vereador Derley da Malhada da Areia, não poupou críticas à forma como o chefe do Executivo vem conduzindo as demandas do município. Em um discurso carregado de frustração, Derley deu o tom do que seria o novo semestre: uma relação de desconfiança profunda. Curiosamente, na sessão de hoje(25), a ausência de Derley foi sentida e interpretada por muitos como um sinal de protesto ou um distanciamento estratégico, após ter sido o primeiro a “colocar o guizo no gato”.
O Golpe do Decano: “Prefeito não tem palavra”
Se a ausência de Derley falou alto, as palavras do vereador Heitor Urias na sessão de hoje(25) ecoaram como um trovão no plenário. Decano da Casa e figura respeitada por sua experiência, Heitor proferir um dos discursos mais duros de sua trajetória política recente. Sem meias palavras, o decano disparou contra a conduta ética do gestor municipal:
“O prefeito Xicão Tavares provou que não tem palavra. O que se vê hoje é uma gestão seletiva, onde o compromisso com o povo ficou em segundo plano”, afirmou Heitor Urias.
A crítica mais ácida, no entanto, foi direcionada ao círculo íntimo do prefeito. Segundo Heitor, a prefeitura tornou-se um reduto fechado. “Apenas os ‘babões’ do prefeito têm vez nessa gestão. Quem não vive para aplaudir erros não é ouvido, não é atendido e é escanteado”, desabafou o vereador, sob o olhar atento dos colegas de parlamento.
Base Aliada em Mutação
O cenário é preocupante para o Palácio Municipal. Quando vereadores da base começam a utilizar termos como “falta de palavra” e criticam o favorecimento de aliados subservientes, o sinal de alerta máximo é ligado. A percepção geral na Casa é de que Xicão Tavares está se isolando, preferindo o conforto dos elogios fáceis à difícil articulação política com o Legislativo.
Vereador como Edilânio Carvalho e Felipe do Angico Torto, se solidarizaram com o decano Heitor, enquanto outros que são da base do gestor, ouviram quietos sem dar uma só palavra.
A pergunta que circula nos bastidores é: até quando a administração suportará o desgaste de ter seus antigos aliados como seus críticos mais ferozes?
Enquanto as respostas não vêm, a população assiste a uma queda de braço que promete ser a cada dia mais intensa na cidade.
A prefeitura ainda não se manifestou oficialmente sobre as declarações de Heitor Urias e a ausência de Derley da Malhada da Areia.


