Com a chegada da Copa do Mundo, muitos torcedores se preparam para vibrar e gritar durante as partidas do Brasil. Entretanto, essa empolgação pode resultar em problemas vocais, como a rouquidão, especialmente no dia seguinte, algo que pode ser um incômodo em reuniões e apresentações. A fonoaudióloga Juliana Algodoal, especializada em comunicação corporativa, alerta que a voz é um ativo profissional, e apresentá-la rouca pode transmitir cansaço e falta de energia, comprometendo a credibilidade do indivíduo.
A rouquidão, conforme explica a especialista, ocorre devido ao esforço excessivo das pregas vocais ao gritar. "Quando gritamos, uma grande quantidade de ar passa rapidamente pelas pregas vocais, causando atrito e irritação, o que dificulta a recuperação da voz", destaca. Isso é ainda mais crítico durante o inverno, quando a umidade do ar é reduzida. Contudo, existem maneiras de torcer sem prejudicar a voz e também métodos para acelerar a recuperação após um uso excessivo.
Juliana recomenda que os torcedores abandonem a ideia de que comemorar um gol exige gritar. "É possível expressar a emoção através de movimentos corporais: pular, gesticular, bater palmas, usar bandeiras e até apitos. Essas alternativas permitem liberar a emoção sem sobrecarregar a laringe", orienta. Outro ponto importante é a hidratação, que deve ser mantida durante os jogos. Apesar da associação do futebol a bebidas alcoólicas e petiscos, é essencial intercalar essas opções com água, que ajuda a proteger a voz e diminui o risco de rouquidão no dia seguinte.
A fonoaudióloga sugere ainda algumas estratégias eficazes para torcer sem danificar a voz. Entre elas, destaca-se a prática de aquecimento vocal, que inclui exercícios como vibrações de língua e bocejos sonoros. Essas atividades simples podem reduzir o impacto do esforço vocal. Além disso, manter-se hidratado, mesmo após o consumo de bebidas alcoólicas, é fundamental para facilitar a recuperação.
A recuperação após o jogo deve ser uma prioridade. Juliana recomenda uma hidratação intensa no dia seguinte, além de nebulizações com soro fisiológico antes de dormir e ao acordar, especialmente em períodos mais secos. Outro cuidado importante é evitar forçar a voz em reuniões longas ou em ambientes barulhentos no dia seguinte.
A especialista também desmistifica algumas soluções populares para problemas vocais. Pastilhas e sprays, por exemplo, não são eficazes para resolver questões de voz, sendo mais eficaz um cuidado preventivo e consciente. Ela alerta para sinais que exigem atenção médica, como dor no pescoço, perda de voz com dificuldade de recuperação e sensação persistente de irritação na garganta. Nesses casos, a consulta com um médico otorrinolaringologista é recomendada.