A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) tem vivenciado uma mudança significativa em seus debates, especialmente em relação à saúde, tema central nas discussões entre governistas e oposicionistas. Após um período de tensão entre o Executivo e o Legislativo, que atrasou em quatro meses a votação da Lei Orçamentária Anual de 2026, a situação agora se concentra nas críticas à gestão da saúde sob a administração da governadora Raquel Lyra.
A oposição, liderada pelo PSB, aproveitou a nova configuração das comissões, que privilegia os governistas, para reverter a estratégia adotada anteriormente. Nesta terça-feira, o líder da oposição, deputado Sileno Guedes, apresentou um documento intitulado “Saúde de Fachada: realidade do atendimento em Pernambuco”, no qual afirmava que a alocação orçamentária para a saúde caiu de 18,85% para 15,8%, uma redução que corresponderia a cerca de R$ 1,5 bilhão a menos no orçamento atual. Além disso, foram destacados problemas de manutenção em diversos hospitais da Região Metropolitana.
Em resposta, a líder do governo, deputada Socorro Pimentel, utilizou a tribuna para contestar as alegações opositórias, apresentando dados que evidenciariam investimentos superiores na saúde durante a gestão atual. Pimentel afirmou que, nos últimos oito anos sob o governo do PSB, foram destinados apenas R$ 5,6 milhões à manutenção dos hospitais, enquanto a administração de Raquel Lyra já aplicou R$ 126 milhões, um aumento significativo nos investimentos.
A deputada também destacou que, em termos de obras e reformas, o governo anterior, liderado por Paulo Câmara, investiu R$ 59 milhões, contra R$ 543 milhões aplicados até agora pela gestão atual, o que representaria um aumento quase nove vezes maior. Esses números foram apresentados como evidências de que a atual administração está comprometida em melhorar a infraestrutura hospitalar do estado.
Além das discussões sobre saúde, a Alepe também abordou a situação da Reserva Tatu Bola de Vida Silvestre, localizada nos sertões do Araripe e São Francisco. O deputado Luciano Duque solicitou urgência na resolução dos problemas enfrentados por pequenos agricultores, quilombolas e indígenas que habitam a reserva. A criação da reserva, que abrange 10 mil hectares, impediu esses grupos de obter crédito agrícola, uma vez que os bancos não podem garantir financiamentos a quem reside em áreas de preservação. Após debates, ficou acordado que será enviado um projeto para transformar a reserva em Área de Preservação Ambiental (APA).
As discussões na Alepe refletem a importância da saúde como uma questão sensível à opinião pública e a necessidade de um diálogo produtivo entre governo e oposição. Com a continuidade dos debates, a expectativa é que novas propostas e soluções sejam apresentadas para enfrentar os desafios enfrentados pelo setor de saúde no estado.