Advogados argumentam que ex-presidente, recém-operado, não deve retornar à Polícia Federal devido a riscos de saúde no pós-operatório.
A defesa de Jair Bolsonaro solicitou ao STF que o ex-presidente permaneça em prisão domiciliar, alegando riscos à saúde após cirurgia.
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022) apresentou um novo pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele permaneça em prisão domiciliar. A solicitação visa permitir que Bolsonaro cumpra a pena de 27 anos à qual foi condenado por seu papel em uma suposta tentativa de golpe para afastar o sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, fora da custódia da Polícia Federal, em Brasília.
O argumento central dos advogados é a preocupação com a saúde do ex-presidente, que está internado desde 24 de dezembro.
Bolsonaro, que completou 70 anos recentemente, foi submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal no dia de Natal, em uma clínica privada em Brasília. A previsão é que ele receba alta hospitalar nesta quinta-feira, com o retorno programado para sua cela na sede da Polícia Federal.
No entanto, a equipe jurídica argumenta que essa transição imediata para um ambiente prisional, logo após um procedimento cirúrgico, representaria um risco considerável.
“Manter este paciente em uma prisão logo após a alta hospitalar o exporia a um risco concreto de deterioração súbita de sua saúde”, afirmaram os advogados no pedido ao STF, conforme citado pela agência France Presse (AFP). O cirurgião Claudio Birolini, responsável pela operação, informou que o pós-operatório está correndo bem, mantendo a previsão de alta, mas a defesa insiste na necessidade de um ambiente mais adequado para a recuperação.
Histórico de Saúde e Condenação
O ex-presidente possui um histórico de saúde complexo, decorrente de um atentado sofrido em 2018, quando foi esfaqueado no abdômen durante um comício de campanha. Desde então, ele passou por diversas cirurgias e procedimentos médicos.
Recentemente, Bolsonaro também foi submetido a tratamentos para crises persistentes de soluços, que o afligem há meses. Segundo o cardiologista Brasil Caiado, o estado psicológico do ex-presidente “piora consideravelmente” quando ele sofre com soluços prolongados, e ele já chegou à clínica em um estado emocional mais deprimido.
Essa internação de nove dias marcou a primeira aparição pública de Jair Bolsonaro desde que começou a cumprir pena, no fim de novembro, na sede da Polícia Federal. Em setembro, o STF o considerou culpado de conspiração para se manter no poder “de forma autoritária” após a derrota nas eleições de 2022 para Lula da Silva, uma condenação que ele nega, mas que está cumprindo.
A defesa busca agora garantir que a recuperação pós-cirúrgica não seja comprometida pelo ambiente carcerário.