O COO da Serra Verde Pesquisa e Mineração, Ricardo Grossi, enfatizou que a superação da defasagem tecnológica é o maior desafio para o Brasil ampliar sua produção de terras-raras. A afirmação foi feita durante o painel "Capturando valor na Transição Energética: A estratégia de gigantes do mercado", que ocorreu na Expert XP 2026, em São Paulo, no dia 23 de julho de 2026.
Mediante a mediação de Marcela Ungaretti, sócia e head de Research ESG da XP, o painel também contou com a participação de William Nozaki, gerente-executivo de Transição Energética da Petrobras. Grossi destacou que, apesar do Brasil ter potencial significativo para aumentar sua participação no mercado global de terras-raras, a evolução do setor está atrelada ao acesso a tecnologias que atualmente são dominadas pela China, que já opera nesse segmento há 36 anos.
"O grande desafio das terras-raras é a tecnologia. Nós estamos correndo atrás de um país que já faz o que nós estamos fazendo há 36 anos", declarou Grossi, ressaltando a necessidade de inovação tecnológica para o Brasil se inserir de maneira competitiva nesse mercado.
A recente fusão da Serra Verde com a empresa norte-americana USA Rare Earth é uma estratégia para reduzir essa lacuna tecnológica. Grossi explicou que essa operação permitirá integrar diversas etapas da cadeia produtiva e trazer inovações que ainda não estão disponíveis no Ocidente.
Ele projetou um crescimento do mercado de terras-raras de, pelo menos, 10% ao ano, impulsionado por setores como veículos elétricos, energia eólica, equipamentos médicos e defesa. Para Grossi, o Brasil possui um ambiente favorável para se tornar um fornecedor relevante desses minerais, devido às suas reservas e à necessidade de um ambiente regulatório estável que atraia investimentos de longo prazo.
As terras-raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, utilizados em várias tecnologias ligadas à Transição Energética, como motores de veículos elétricos e turbinas eólicas. Grossi apontou que cerca de 90% da cadeia global de processamento desses minerais está concentrada na China.