A Operação Narco Sky, realizada pela Polícia Federal (PF) em 2 de junho, revelou a complexa estrutura de uma organização criminosa que utilizava tecnologia avançada para facilitar o tráfico internacional de cocaína. Os integrantes do grupo se comunicavam por meio da plataforma SKY ECC, que lhes permitia trocar mensagens criptografadas sobre o envio de drogas, além de utilizarem codinomes para ocultar suas identidades.
Conforme as investigações, os membros do grupo frequentemente trocavam de aparelhos para evitar rastreamento, combinando o envio da cocaína via aeronaves até o litoral brasileiro, onde a carga era transferida para embarcações marítimas. A organização pagava tripulantes e marinheiros para realizar uma técnica de içamento da droga, escondendo-a em contêineres refrigerados, o que dificultava a detecção durante o transporte.
Os tabletes de cocaína eram camuflados em compartimentos específicos, como o motor dos sistemas de refrigeração, permitindo que a droga fosse transportada de forma segura até o momento do desembarque. Para otimizar o transporte, o grupo também utilizava recursos como bolsas estanques, boias de sustentação, dispositivos de GPS e lanternas para sinalização noturna em alto-mar, garantindo o monitoramento das cargas.
Um dos envolvidos, Rafael Gonçalves Sayão, conhecido como “Cabelinho”, desempenhava um papel ativo na comunicação do grupo, contribuindo com apoio operacional e a transmissão de informações importantes para a execução do esquema.
A Operação Narco Vela, que ocorreu em abril de 2025, já havia identificado Marco Aurélio de Souza, apelidado de Lelinho, como um dos principais articuladores do envio de cocaína do Primeiro Comando da Capital (PCC) para a Europa. Ele foi apontado como responsável pelo envio de 2 toneladas de droga à Espanha em julho de 2022, ação descoberta pela Guarda Civil Espanhola na localidade de Aldea de San Nicolás.
Lelinho teria montado uma frota de pequenas embarcações para facilitar o transporte dos entorpecentes, utilizando lanchas para levar a droga até veleiros em alto-mar, que então realizavam a travessia pelo Oceano Atlântico. Essa abordagem complexa e bem estruturada demonstra a sofisticação das operações realizadas por organizações criminosas no Brasil e seus esforços para driblar as autoridades.