O piloto Yannick Dainese, responsável pelo helicóptero que participou do resgate de Michael Schumacher em 2013, relatou detalhes sobre a operação que envolveu o heptacampeão mundial de Fórmula 1 após seu grave acidente de esqui. Durante uma entrevista, Dainese destacou a seriedade do chamado recebido, que o fez perceber a magnitude da situação quando foi instruído a cortar qualquer registro da operação, incluindo microfones e câmeras GoPro.
"Um dos socorristas pulou para dentro do helicóptero com o médico da equipe de emergência e me disse: 'Estamos indo até Schumacher!'. Pensei que ele estivesse brincando, mas quando o comandante nos ordenou a remover nossos equipamentos, percebi que era verdade. Não fazemos perguntas, não conversamos uns com os outros. Cada um se isola na sua própria bolha. O importante é se desapegar de todas as emoções para se manter no auge do desempenho", afirmou Dainese.
O socorrista também reconheceu a pressão sentida por se tratar de uma figura tão icônica. "Para mim, ele era apenas mais um esquiador gravemente ferido. Subconscientemente, claro, a pressão existia, porque, mesmo não sendo fã de Fórmula 1, eu sabia que ele era idolatrado como um deus. É impressionante ver uma celebridade como ele confinada em uma maca", comentou.
Após o acidente, Schumacher foi transportado ao Hospital Universitário de Grenoble, onde chegou com hipertensão intracraniana, hematomas e contusões cerebrais, além de um edema cerebral difuso. O tratamento inicial incluiu a indução de coma e resfriamento controlado do corpo.
Dainese relembrou que, dias após o acidente, visitou novamente o hospital e ficou chocado com a quantidade de torcedores presentes. "O pátio do hospital havia se transformado em um circuito de Fórmula 1, com tantos ônibus e bandeiras vermelhas por toda parte. Era monstruoso!", relatou.
Ele também expressou sua posição em relação às visitas feitas por figuras próximas a Schumacher, como Jean Todt e Ross Brawn. "Posso fazer um comentário, ter uma opinião, mas não faço parte desse círculo íntimo. Estou muito longe disso", concluiu Dainese, enfatizando sua posição de distanciamento em relação ao estado de saúde do piloto.