Anúncio de Donald Trump sobre o líder venezuelano provoca euforia em políticos conservadores no Brasil, enquanto outros criticam a intervenção externa.
Políticos da direita brasileira comemoram suposta captura de Maduro anunciada por Trump, gerando debate sobre intervenção externa e soberania na Venezuela.
A direita brasileira reagiu com entusiasmo neste sábado (3) ao anúncio feito pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa teriam sido capturados e levados para fora do país caribenho. A notícia, que ainda carece de confirmação oficial independente e tem sido veementemente negada por Caracas, gerou uma onda de comemoração entre políticos conservadores, que interpretaram o evento como um duro golpe contra regimes de esquerda na América Latina.
Entre os mais vocais estava o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em suas redes sociais, ele afirmou que o “regime venezuelano é o pilar financeiro, logístico e simbólico do Foro de São Paulo”.
Eduardo Bolsonaro previu “dias terríveis” para líderes como Lula e Petro, declarando “Viva a liberdade”. A tônica foi rapidamente ecoada por outros membros da família e aliados políticos.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçou a narrativa, escrevendo que “Lula será delatado” e que seria o “fim do Foro de São Paulo”, que ele associou a atividades ilícitas como tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. O ex-juiz e senador Sergio Moro (União-PR) também se manifestou, celebrando o “fim de Maduro, o tirano de Caracas”, enquanto o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) desejou que “todos os ditadores da América Latina, sejam presidentes ou juízes, tenham o mesmo destino”. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e o deputado Mauricio Marcon (PL-RS) também comemoraram, pedindo apoio do governo brasileiro à suposta ação.
Reações e a Posição da Venezuela
Contudo, a onda de celebração não foi unânime. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD-RS), adotou um tom mais cauteloso e crítico em relação à intervenção externa.
Embora condenasse o “regime ditatorial de Maduro” por violar direitos humanos e sufocar liberdades, Leite classificou a “violência exercida por uma nação estrangeira contra outra soberana, à margem dos princípios básicos do direito internacional, em especial o de não intervenção, [como] igualmente inaceitável”.
Paralelamente, a Venezuela declarou estado de emergência nacional, denunciando uma “agressão militar” dos Estados Unidos. Segundo comunicado do regime venezuelano, múltiplas explosões atingiram a capital, Caracas, e outras regiões do país, como Miranda, Aragua e La Guaira, durante a madrugada.
O governo de Maduro mobilizou suas forças de defesa em resposta ao que classificou como ataques.
A situação na Venezuela, com a polarização de reações no Brasil e a escalada de tensões, sublinha a complexidade da política regional e a influência de atores externos. Enquanto a direita brasileira celebrava a suposta queda de um regime que considera ditatorial, a Venezuela se preparava para uma possível confrontação, e vozes mais ponderadas no Brasil alertavam para os perigos de desrespeitar a soberania internacional.