Os confrontos entre o ex-prefeito João Campos e a ex-deputada federal Marília Arraes, que ocorreram na disputa pela prefeitura do Recife em 2020, estão sendo resgatados nas redes sociais. Naquele ano, Campos, pelo PSB, e Arraes, pelo PT, protagonizaram intensos ataques mútuos, especialmente no segundo turno. Esses embates foram novamente explorados na campanha de 2022, quando Marília se lançou como candidata a governadora pelo Solidariedade, enfrentando Danilo Cabral, do PSB, que contava com o apoio do PT. O objetivo era evidenciar as críticas severas de Campos aos petistas, ressaltando as contradições que ainda permeiam a relação entre os dois grupos políticos.
Recentemente, vídeos desses debates ressurgiram com força, impulsionados pela estratégia do PSD, partido da governadora Raquel Lyra. Essa abordagem busca acentuar as divisões entre os eleitores ao mesmo tempo em que Campos exibe um vídeo do presidente Lula, criando um contraste com a narrativa de que ele não é visto como confiável por muitos petistas. Essa percepção se consolidou durante a eleição de 2022, quando surgiu o voto Luquel, que uniu os apoiadores de Lula e Raquel, e continua a influenciar o atual cenário eleitoral, com pesquisas indicando que mais de 30% dos eleitores de Raquel pretendem votar em Lula para presidente.
Em um vídeo recente, João Campos afirmou que não vê problemas em ser considerado lulista, destacando seu apoio ao presidente. Entretanto, a estratégia de comunicação do PSD explora um vídeo de 2020 em que Campos se comprometia a não incluir petistas em sua administração, levantando questões sobre a quantidade de filiados ao PT condenados e presos no Brasil. Essa tática visa reforçar a desconfiança em relação ao ex-prefeito entre os eleitores petistas.
Além disso, a exibição de um discurso de Marília, agora candidata ao Senado, em Gravatá, reiterou as divergências entre o PT e o PSB, evidenciando as críticas que ela direcionou a Raquel Lyra. O foco na rivalidade histórica entre os partidos é parte de uma estratégia que busca desestabilizar a imagem de Campos, reforçando a ideia de que ele não representa os interesses dos petistas.
Durante um evento em Belo Jardim, João Campos reafirmou sua intenção de governar em parceria com Lula, recordando uma conversa em que o presidente o incentivou a realizar sua campanha em Pernambuco. Ele também mencionou a expectativa de que, caso eleito, seu governo será o melhor da história de Pernambuco, enquanto criticava a ausência de grandes projetos no Agreste. O ex-prefeito ainda apontou que a duplicação da BR-232, importante para a região, enfrenta obstáculos no Tribunal de Contas devido a indícios de irregularidades.
Diante desse cenário, a pergunta que se impõe é se a estratégia dos governistas de expor as desavenças entre o PT e o PSB surtirá efeito sobre a imagem de João Campos nas próximas eleições.