A situação fiscal do Brasil se agravou em maio, com a dívida bruta do governo alcançando 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Este aumento é considerado alarmante, uma vez que, em apenas três anos e meio, o endividamento do país subiu 9,4 pontos percentuais. Na prática, isso significa que o Brasil contraiu um novo endividamento superior a R$ 1 trilhão, apenas para manter o funcionamento da administração pública.
Para ilustrar a magnitude do montante de R$ 1 trilhão, é possível compará-lo a um dos maiores programas de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, que atende 19,3 milhões de famílias e possui um orçamento de R$ 158,6 bilhões para 2026. Contudo, o crescimento da dívida não resultou em melhorias significativas para a base da pirâmide social, nem em avanços em infraestrutura, inovação ou produtividade. Os recursos estão sendo consumidos pela própria estrutura estatal, sem se traduzirem em investimentos estruturais.
Esse cenário preocupante é alimentado por dois fatores principais: o Déficit Primário Recorrente e a Conta de Juros Elevada. O primeiro indica que o governo gasta sistematicamente mais do que arrecada, enquanto o segundo revela que o alto risco fiscal leva o mercado a exigir prêmios maiores para financiar o país, resultando na necessidade de o Banco Central manter a taxa Selic em níveis contracionistas.
Com uma parte significativa da dívida brasileira atrelada à Selic, o custo para gerenciar esses débitos aumenta, criando um ciclo vicioso que intensifica o déficit nominal. Este contexto levanta uma questão crucial sobre a eficiência da gestão pública: onde realmente foram aplicados os recursos que resultaram em um endividamento de R$ 1 trilhão em tão pouco tempo? Sem investimentos claros em áreas que promovam crescimento a longo prazo, o Brasil pode continuar a se endividar, apenas para cobrir os custos correntes de sua administração.