O dólar operava em alta na manhã desta quarta-feira (19/11), em mais um dia no qual os investidores concentram suas atenções na agenda econômica internacional, em uma semana mais esvaziada no Brasil e na véspera do feriado nacional de 20 de novembro (Dia da Consciência Negra).
Nesta quarta, o principal destaque para os mercados é a divulgação do balanço da Nvidia, a gigante norte-americana na fabricação de chips para computadores e dispositivos móveis e a empresa mais valiosa do mundo.
Nos Estados Unidos, os investidores aguardam a publicação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). Na quinta-feira (20/11), devem ser conhecidos os dados oficiais de emprego nos EUA com o relatório do chamado “payroll” – indicador econômico mensal que mostra a evolução do emprego no país fora do setor agrícola.
Dólar
- Às 9h09, a moeda norte-americana avançava 0,11% e era negociada a R$ 5,324.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,26%, cotado a R$ 5,318.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 1,15% no mês e de 13,95% no ano frente ao real.
Ibovespa
- As negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), começam às 10 horas.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em baixa de 0,3%, aos 156,5 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 4,67% em novembro e de 30,13% em 2025.
Nivida divulga balanço do 3º trimestre
Os investidores estão em compasso de espera pela divulgação dos resultados financeiros trimestrais da Nvidia, após o fechamento do mercado. No fim de outubro, a Nvidia foi a primeira empresa de capital aberto da história a alcançar a marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado.
A empresa, inclusive, superou esse patamar histórico e bateu US$ 5,1 trilhões (o equivalente a R$ 27,3 trilhões, pela cotação atual). A Nvidia já havia sido a primeira companhia a superar os US$ 4 trilhões em valor de mercado, em julho.
Na véspera do anúncio dos resultados da empresa, as ações da Nvidia fecharam em queda de 2,81%, cotadas a US$ 181,36.
A expectativa média dos analistas do mercado indica que a Nvidia registre uma alta superior a 50% em seu lucro líquido e receita no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2024.
Segundo o mercado, isso deve ocorrer, entre outros fatores, pelo fato de que Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta – que respondem por mais de 40% das vendas da Nvidia – devem aumentar os gastos com inteligência artificial (IA) em mais de 30% nos próximos 12 meses.
Uma das preocupações do mercado envolve preços elevados das ações de tecnologia e a alavancagem de empresas de IA.
Alavancagem é o uso de recursos de terceiros para multiplicar o resultado de um investimento ou negócio. Em linhas gerais, ela permite que se opere com um volume financeiro maior do que o capital próprio disponível, aumentando o potencial de lucro, mas também o risco de perdas. Setores do mercado já começam a temer uma possível “bolha” da IA.
Ata do Federal Reserve
A expectativa em torno da taxa básica de juros nos EUA também continua movimentando o mercado. Nesta quarta-feira, os investidores aguardam a divulgação da ata da última reunião do Fed que definiu mais um corte de 0,25 ponto percentual dos juros da economia norte-americana, que agora se situam no intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.
A votação, no fim de outubro não foi unânime. Stephen Miran, novo integrante do Fed, indicado por Donald Trump, votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey R. Schmid votou pela manutenção da taxa de juros.
A próxima reunião do Fed para definir a taxa de juros, a última do ano, está marcada para os dias 9 e 10 de dezembro.
De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros por parte do Fed no próximo mês está em 51,4%. Hoje, 48,6% dos investidores apostam em uma nova redução de 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano.
À espera do “payroll”
Na quinta-feira, após um longo período de interrupção por causa do “shutdown”, o Departamento do Trabalho do governo dos EUA deve divulgar os dados oficiais de emprego no país fora do setor agrícola.
O relatório, elaborado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), é considerado determinante para as avaliações sobre o desempenho da economia norte-americana.
Agosto foi o quarto mês consecutivo com resultados inferiores a 100 mil empregos nos EUA. Foi o ritmo mais fraco do mercado de trabalho norte-americano desde a pandemia de Covid-19. Os dados não são divulgados desde setembro.
A força do mercado de trabalho nos EUA é um dos componentes considerados pelo Fed para definir a taxa de juros e esfriar a demanda na economia a fim de combater a inflação.
Analistas temem que a aceleração do mercado de trabalho nos EUA leve a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Por outro lado, dados fracos de emprego alimentariam as projeções mais pessimistas de que a economia dos EUA pudesse entrar em recessão nos próximos meses.
O “shutdown”, que impediu a divulgação dos dados oficiais de emprego nos EUA, foi a paralisação de diversos setores da máquina governamental do país. Ele durou mais de 40 dias e foi o maior da história dos EUA.
Análise
Segundo Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, a expectativa para o pregão desta quarta-feira é por “um mercado um pouco mais travado, enquanto espera o balanço de Nvidia”. “O mercado tem comprado um pouco menos, nesses últimos dias, a tese da inteligência artificial. Começou a comprar um pouco menos o ‘oba-oba’ e ficar mais de olho nas projeções e ‘guidance’ pro ano que vem”, afirma.
“Os ativos de risco tiveram um 2025 muito favorável por aqui no decorrer do ano. A partir de agora, espera-se que as casas comecem a rever os preços de Ibovespa. E muita gente começa a colocar esse patamar de Ibovespa pelo menos entre 180 mil e 200 mil pontos para o ano que vem”, projeta Cima.
“O principal motivo para isso é que a Bolsa seguiria sendo um ativo que poderia trazer para os investidores retornos acima do CDI ao longo do ano que vem. No Brasil, com o dólar desvalorizando e a taxa de juros para baixo, o que faltaria seria o déficit público diminuir. Com esses três fatores, você conseguiria aumentar o retorno real dos ativos”, completa o analista.

