Crescimento do PIB para 2026 é projetado em apenas 1,6%, impactado por incertezas eleitorais e juros elevados.
A economia brasileira em 2026 projeta crescimento modesto, com o PIB em 1,6%, refletindo a incerteza eleitoral e a política de juros altos.
Na transição para um novo ano, o Brasil se depara com um horizonte econômico marcado pela cautela. A expectativa para 2026 é de um crescimento modesto, influenciado diretamente pelas incertezas de um ano eleitoral e pela persistência de um ambiente de juros elevados, que freiam o ímpeto de desenvolvimento do país.
Na última quinta-feira, o Banco Central divulgou a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para o próximo ano, fixada em apenas 1,6%. Se confirmada, essa taxa representará o valor mais baixo desde a recessão gerada pela pandemia em 2020, quando o PIB encolheu mais de 3%. Após um período de crescimento acima de 3% em 2022 e uma desaceleração para 2,3% em 2025, a projeção para 2026 aponta para uma perda ainda maior de velocidade. A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, a maior em duas décadas, é apontada como um dos principais fatores para essa contenção da expansão econômica, visando o controle inflacionário.
O Impacto da Política na Economia
O ano eleitoral para a presidência, governos estaduais e legislativos tradicionalmente impõe um compasso de espera no cenário nacional. A indefinição do quadro político para os próximos quatro anos leva investidores e setores produtivos a adotarem uma postura de precaução.
Mesmo que haja um corte nos juros, seus efeitos positivos na economia costumam levar até um ano e meio para se manifestarem, o que significa que o impacto não seria sentido de forma significativa em 2026.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA) corroboram essa visão, indicando que a combinação da âncora dos juros com as eleições é suficiente para segurar o crescimento. A indústria de transformação, por exemplo, tem uma estimativa de crescimento de apenas 0,5% para 2026, contribuindo para a desaceleração industrial.
O PIB agropecuário, embora projete um crescimento acima de 2%, representa uma diminuição expressiva frente ao salto de 8,3% esperado para 2025.
Adicionalmente, especulações sobre a saída de figuras-chave do governo, como o ministro Fernando Haddad, e a possível renovação da polarização política já na pré-campanha, geram temores nos setores produtivos. A preocupação reside na adoção de medidas populistas que poderiam impactar negativamente o cenário fiscal em 2027.
Essas incertezas políticas, somadas a uma conjuntura global igualmente instável, desenham um futuro suspenso para a economia brasileira em 2026.
Diante desse panorama, o Brasil se encontra em um período de espera. A economia, com seu potencial de crescimento contido, aguarda que as definições políticas tragam a clareza e a estabilidade necessárias para destravar investimentos e retomar um ritmo de expansão mais robusto.
A superação dos desafios de 2026 dependerá, em grande parte, da capacidade de o país conciliar as demandas políticas com as necessidades de um desenvolvimento econômico sustentável.