A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), criada durante o regime militar, consolidou-se como pilar técnico e científico do agronegócio brasileiro, que se tornou potência mundial na produção de diversas commodities. A influência da Embrapa é notória em culturas de sucesso como soja, milho, algodão e carne, impulsionando o país a se destacar no cenário internacional.
Desde a criação de seus primeiros centros de pesquisa em 1974, com foco em produtos como trigo, arroz, feijão, gado de corte e seringueira, a Embrapa demonstra um compromisso com o desenvolvimento do setor. Contudo, sua atuação no Nordeste é particularmente relevante, especialmente no semiárido.
A empresa desempenhou um papel crucial no desenvolvimento de sistemas de produção adaptados à seca, na modernização de culturas tradicionais e na introdução de novas cultivares, impulsionando a exportação de frutas e modernizando a agricultura local. Essa expertise resultou da aplicação do conhecimento científico gerado pela pesquisa no campo, visando aumentar a renda e a competitividade dos produtores, desde pequenos agricultores até grandes empresas.
No Nordeste, a Embrapa mantém oito unidades, com destaque para a Embrapa Semiárido, criada em 1975 em Petrolina-PE. Essa unidade se dedica à pesquisa e inovação para o desenvolvimento sustentável das áreas semiáridas do Brasil, abrangendo municípios do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo. A Embrapa Semiárido tornou-se referência no estudo da caatinga, um bioma exclusivamente brasileiro com alta biodiversidade, adaptado a altas temperaturas e poucas chuvas.
A pesquisa da Embrapa abrange frutas como mangaba, pitanga e maracujá, contribuindo para a sistematização do conhecimento ancestral sobre o bioma, especialmente através da coleta de um banco de genes ao longo de décadas. Este olhar científico para o semiárido é crucial diante das mudanças climáticas, permitindo a adaptação da agricultura a novas realidades.
A Embrapa Semiárido investe em uvas sem caroço adaptadas ao clima nordestino, como a BRS Melodia (rosada) e a BRS Lumiar (branca), com alta produtividade e potencial para duas safras anuais. A empresa também pesquisou a mandioca, sistematizando o conhecimento ancestral da planta e mantendo um banco com mais de 300 genes para sustentar a evolução das culturas.
A Embrapa Tropical, sediada em Fortaleza (CE), também contribui para o desenvolvimento regional, modernizando a cultura do caju e provando a viabilidade da agricultura brasileira, reduzindo a importação de alimentos. A criação de centros de pesquisa em todos os biomas permite um olhar específico para cada região.
Diante das mudanças climáticas, a Embrapa busca antecipar desafios e oferecer soluções baseadas na ciência, apoiando políticas públicas, capacitando produtores e estimulando a inovação tecnológica. O patrimônio genético conservado e estudado pela Embrapa é um ativo estratégico para a adaptação da agricultura às novas condições climáticas, especialmente no Nordeste.
O banco de germoplasma das unidades do Nordeste, com espécies nativas e cultivadas adaptadas a altas temperaturas e escassez hídrica, representa uma biblioteca de biodiversidade essencial para o futuro da agricultura. Materiais como manga, uva, acerola, capim-buffel, umbu e gado da raça Sindi possuem alto potencial para uso na agricultura, na alimentação e na recuperação de ecossistemas.
A Embrapa Semiárido, em parceria com instituições locais, busca reduzir o consumo de água na irrigação da manga Palmer, controlando com precisão todas as fases do cultivo. Essa e outras iniciativas representam um avanço para um mundo com um clima em aquecimento, consolidando a Embrapa como uma ferramenta de soberania, segurança alimentar e fortalecimento da capacidade do Brasil de liderar uma nova agricultura.