Ondas de calor e seca severa colocam 107 municípios pernambucanos em situação de emergência, refletindo um desafio climático nacional que exige soluções sistemáticas.
Ondas de calor e seca severa impulsionam estado de emergência em 107 municípios de Pernambuco, revelando a urgência de respostas sistemáticas à crise climática.
Enquanto ondas de calor se alastram pelo país, provocando alertas em centros urbanos, a situação de emergência devido à estiagem cresce em diversos municípios. O calor intenso, atingindo picos de temperatura incomuns, chama a atenção para os cuidados com a saúde, especialmente de grupos vulneráveis.
Este cenário é um sintoma claro da intensificação dos fenômenos climáticos observada globalmente, apesar dos esforços diplomáticos para mitigar as mudanças em curso.
A associação entre o clima quente e a estiagem severa tem colocado em risco suprimentos estruturais de água e energia. Em Pernambuco, o governo decretou situação de emergência em 107 municípios no último dia do ano, devido à falta de chuvas, com validade de 180 dias. Esta não é uma medida isolada; iniciativas semelhantes têm sido repetidas anualmente, transformando a emergência em uma rotina para a administração pública. Tal recorrência sugere a necessidade urgente de amadurecimento de mecanismos institucionais que permitam um enfrentamento mais sistemático, planejado e eficaz da seca.
Desafios e Ações no Enfrentamento da Seca
Na atual gestão da governadora Raquel Lyra, foram entregues 23 sistemas simplificados de abastecimento e recuperados/instalados dessalinizadores. Além disso, uma centena de cidades recebeu obras da Compesa, totalizando um investimento de R$ 650 milhões.
Embora essas ações revelem um esforço para melhorar as condições de convivência da população com a estiagem, o problema persiste, evidenciando que os aperfeiçoamentos ainda não são suficientes diante da magnitude das mudanças climáticas.
A questão da estiagem transcende as fronteiras pernambucanas, configurando um desafio nacional. Um relatório da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) indicou que, entre outubro e novembro, 19 estados brasileiros enfrentavam estiagem, abrangendo quase 70% do território nacional, ou 5,7 milhões de quilômetros quadrados.
Pernambuco, inclusive, estava entre os estados onde a condição de seca piorou nesse período, enquanto apenas Acre, Amazonas, Bahia e Paraná registraram redução da área afetada.
Em novembro, a ANA apontou que oito estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além do Ceará no Nordeste, tiveram 100% de seu território sob alguma incidência de seca. A região Nordeste, historicamente marcada pela estiagem, apresentou mais de um quinto de sua extensão territorial em condição de seca extrema.
A convivência com este fenômeno é antiga, mas a palavra “emergência” precisa ser encarada com a seriedade que sua gravidade exige, especialmente diante da continuidade e do agravamento provocados pelas inegáveis mudanças climáticas.