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Era mais fácil fazer imagens da fronteira com o México sob Trump, diz fotógrafo

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“Se jornalistas tentam ir de maneira independente naquela área, eles são removidos por agentes” afirmou

Para fotografar as centenas de migrantes sem documento que atravessam para os Estados Unidos pela perigosa fronteira com o México, John Moore tem usado técnicas peculiares.

Uma delas, conta o fotógrafo, é negociar com proprietários privados de terra no sul do Texas para que ele possa registrar, a partir de estradas de chão batido, famílias inteiras entrando a pé nos EUA -muitas delas com crianças de colo- depois de terem cruzado o rio Grande.

A outra é cruzar a fronteira para Ciudad Juárez, no México, e fotografar com lentes teleobjetivas, a centenas de metros de distância, adolescentes pulando as barreiras de ferro que separam os dois países. Ou pessoas sozinhas que, com a água nas canelas, enfrentam a correnteza do rio em uma parte rasa e se entregam para agentes de fronteira em solo americano.

Fotógafo sênior da agência Getty Images e autor da famosa imagem de uma mãe com sua filha paradas na fronteira com o México, Moore precisa recorrer a essas táticas para realizar seu trabalho em resposta à proibição imposta por Joe Biden desde que assumiu a Presidência, em janeiro.

“Se jornalistas tentam ir de maneira independente naquela área, eles são removidos por agentes da [agência federal de controle de fronteira] U.S. Border Patrol, que dizem que eles não têm autorização para estar ali. No passado, nas administrações de [Barack] Obama e de [Donald] Trump, jornalistas podiam pedir para fazer a ronda com os oficiais de fronteira, e os pedidos eram geralmente atendidos. Mas, com a nova administração, têm sido completamente negados”, afirma.

A dificuldade imposta pela administração democrata foi chamada de censura em um editorial recente do jornal The Washington Post e tem causado escassez de imagens de uma crise em momento de números recordes -170 mil imigrantes foram apreendidos na fronteira sudoeste dos EUA em março, a maior cifra nos últimos 15 anos, de acordo com dados do Serviço de Alfândega e Proteção das Fronteiras (CBP, na sigla em inglês), um aumento de 70% em relação a fevereiro.

A Casa Branca afirma que o acesso da imprensa tem sido restringido devido ao coronavírus, mas Moore diz achar esse pretexto “muito fraco”. Se a pandemia é a explicação oficial, o fotógrafo questiona por que um grupo com cerca de 12 congressistas de Washington pôde visitar, ao mesmo tempo, centros de detenção de imigrantes em El Paso, no Texas, enquanto só “dois ou três jornalistas” foram autorizados a fazer o mesmo -no dia 30 de março, a administração Biden possibilitou a entrada de repórteres pela primeira vez.

“Acho que esse foi um passo muito importante na direção certa e acredito que eles estão provavelmente lidando com uma situação difícil de superlotação de refugiados. Mas seria benéfico para o público e para o governo se nós pudéssemos mostrar como o governo lida com essa situação”, diz Moore, acrescentando que a Casa Branca tenta controlar a narrativa da atual crise.

O fotógrafo conta não ter sido autorizado a entrar em nenhum dos centros onde os imigrantes ficam detidos desde que Biden assumiu, algo que, segundo ele, era possível com algumas restrições no governo Trump (2017-2020) e com mais facilidade durante os anos Obama (2008-2016). Uma das limitações desse tipo de visita é não mostrar os rostos das pessoas.

Além disso, as situações ao ar livre que costuma fotografar -apreensões de pessoas próximas ao rio Grande e em terrenos fronteiriços controlados majoritariamente pelo governo dos EUA- têm risco de contaminação pelo coronavírus próximo de zero, ele argumenta.

Se a questão com a cobertura em seu próprio país é basicamente o acesso, no México Moore precisa tomar cuidado para não ter problemas com os traficantes de pessoas e drogas -geralmente pertencentes a uma mesma organização-, responsáveis por controlar largas áreas do território fronteiriço e conhecidos “por não serem muito gentis”, ele diz.

Joga a seu favor o fato de que, caso um criminoso faça um jornalista ou um oficial americano de vítima, uma investigação será deflagrada, ele conta, gerando um processo danoso aos negócios do tráfico.

Mesmo com uma carreira construída fotografando guerras e zonas de conflito, Moore afirma não dar a sua segurança como certa. “Tomo muitas precauções. Não vale a pena perder o amanhã por uma foto de hoje.”

Por Folhapress

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A custo zero, Biden rouba o holofote da China na diplomacia vacinal

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Em um único comunicado, Biden conseguiu ultrapassar a China, que vinha vencendo disparado na diplomacia da vacina

O anúncio dos Estados Unidos de apoio à suspensão de patentes de vacinas contra a Covid-19 foi um golpe de mestre diplomático de Joe Biden. Em um único comunicado, Biden conseguiu ultrapassar a China, que vinha vencendo disparado na diplomacia da vacina. E com custo zero.

Até agora, os chineses vinham acumulando “soft power” ao doar, transferir tecnologia e vender vacinas para países ao redor do mundo. Já Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia conquistaram antipatia mundial ao praticar nacionalismo vacinal -asseguraram estoques suficientes para vacinar mais do que suas populações inteiras, enquanto inúmeros países não vacinaram nem 1% de seus habitantes. Proibiram exportação de insumos, descumpriram prazos, negaram-se a doar excedente de doses enquanto não tivessem vacinado toda sua população.

E eis que, com uma canetada, Biden vira o jogo. O americano, ao se alinhar à Índia e à África do Sul pela suspensão de patentes e enfrentar as “cruéis” farmacêuticas que lucram bilhões, rouba o holofote da China e conquista boa vontade do resto do mundo. Isso sem ter doado uma única vacina a mais -ou melhor, enviou 4 milhões de doses para Canadá e México, número que, dada a magnitude do problema, é simbólico, e contribuiu para o Covax, que está muito atrasado em suas promessas.

Biden fica com o bônus político de se posicionar contra a desigualdade no acesso às vacinas. Mas o efeito da decisão é incerto.

As negociações na Organização Mundial do Comércio levarão meses, pois precisam de consenso. Mesmo que haja suspensão de patentes, é preciso garantir que as farmacêuticas transfiram também know-how, senão será difícil outros países replicarem a complexa tecnologia das vacinas da Moderna e Pfizer, por exemplo.

Por Folhapress

 

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Foguete chinês descontrolado pode cair no Brasil. Veja chances!

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Os destroços do foguete chinês CZ-5B, que está descontrolado, devem cair em solo terrestre nos primeiros minutos deste domingo (09). No entanto, não é possível afirmar com exatidão o local onde o míssil desintegrado irá despencar. Segundo a Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (BRAMON), há uma chance de 1,86% do foguete cair em solo brasileiro.

De acordo com os cálculo de Joseph Remis, os destroços tocarão a terra às 0h06 de domingo. No entanto, há uma margem de erro de até 21 horas de diferença. Caso esta margem se cumpra, o míssil terá mais uma passagem pela região Sul do Brasil, totalizando nove passagens “em cima” da região e aumentando para 1,92% as chances de cair “por aqui”.

Apesar da perda de controle dos destroços, cientistas afirmam que a maior parte do foguete será consumida pela atmosfera e, com isso, apenas as partes mais resistentes e menores, como os tanques de combustíveis, devem tocar o solo, ainda assim com velocidade bastante reduzida.

A possibilidade de cair em uma área habitada e até mesmo de ferir alguém ou causar algum dano material é muito pequena, não entanto, não pode ser desprezada.

 

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Covas: Declarações de Bolsonaro contra China afetam liberação de insumos

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Bolsonaro fez um novo ataque contra a China nesta quarta-feira (5)

O Instituto Butantan afirmou nesta quinta-feira (6) que as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com críticas à China afetam a liberação de insumos pelas autoridades daquele país.

O governador João Doria (PSDB), em evento para liberação de lote de cerca de 1 milhão de doses da Coronavac, também disse que as afirmações geraram mal estar na diplomacia chinesa.

Em um novo ataque à China, o presidente Jair Bolsonaro sugeriu na quarta (5) que o país asiático teria se beneficiado economicamente da pandemia e afirmou que a Covid pode ter sido criada em laboratório -ecoando tese que não encontra respaldo em investigação da OMS sobre as possíveis origens do vírus.

“Todas as declarações neste sentido têm repercussão. Nós já tivemos um grande problema no começo do ano e estamos enfrentando de novo esse problema”, disse Dimas Covas, diretor do Butantan. “Embora a embaixada da China no Brasil venha dizendo que não há esse tipo de problema, mas a nossa sensação de quem está na ponta é que existe dificuldade, uma burocracia que está sendo mais lenta do que seria habitual e com autorizações muito reduzidas”.

Covas explicou que a próxima liberação de insumos teve a data de autorização adiada do dia 10 para o dia 13. O volume inicial seria de 6 mil litros, agora a expectativa é de 2 mil litros. Para ele, as mudanças não são da produção da Sinovac e sim determinadas pelas autorizações das autoridades chinesas.

“Pode faltar [insumos]? Pode faltar. E aí nós temos que debitar isso principalmente ao nosso governo federal que tem remado contra”, disse Covas.

Ele acrescentou ainda que há várias informações mentirosas e mirabolantes no discurso do discurso do presidente, citando que teria havido uma fabricação do vírus.

“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou por algum ser humano [que] ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra?”, disse o presidente em evento no Palácio do Planalto, em Brasília. “Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês.”

O governador João Doria fez críticas à falta de diplomacia do governo brasileiro em relação à China.

“Diante de uma pandemia, o insumo da principal vacina que vai no braço dos brasileiros vem da China, o mal estar provocado por sucessivas declarações desastrosas do ministro da Economia Paulo Guedes e agora do presidente da República Jair Bolsonaro, e o Ministério das Relações Exteriores silencia. Que Ministério das Relações Exteriores é esse que não faz relações positivas, construtivas, com países, seja pela economia, seja pelo fato de que a China é a principal provedora de insumos para as vacinas?”, questionou o governador.

Por Folhapress

 

 

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