As mensagens no celular de um banqueiro não são apenas constrangedoras, mas sintomáticas de tenebrosas relações na intimidade da República. A Polícia Federal cumpre exemplarmente a sua missão, analisando e prover informações de interesse público para a conservação de alguma esperança no país. Relações comerciais de uma esposa de um juiz do STF com um banco investigado pela Polícia Federal são tratadas com naturalidade.
A visualização única que esconde o teor da resposta em conversa suspeita pode ser mais escandalosa pela tentativa de omissão do que pela verdade que poderia revelar. O objeto do contrato de sua esposa com o banqueiro permanece um mistério, e o fato de seu número estar ativo na agenda do banqueiro, no dia da prisão, também é um mistério. A veemência do ministro ressume-se a buscar atravessar a lógica, ampliando a enroscada em que se meteu para uma situação de ameaça institucional.
A eventual participação de personalidades da República, de qualquer partido, de qualquer escalão, precisa ser esclarecida. E para isso, decisões restritivas ou protelatórias apenas inflamam o já desacreditado cenário institucional. O enfrentamento do processo em curso é um dever do STF, da Justiça, do Congresso e até do governo federal, uma vez que o banco contaminou o sistema financeiro com parasitas da política – e vice-versa.
O direito ao sigilo individual não pode se sobrepor ao do conhecimento público, especialmente quando uma nação inteira espera explicações e respostas. É necessário que representantes dos Três Poderes mostrem seriedade e espírito público nesse caso.


