Um novo levantamento, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com o Instituto Unibanco, apresenta um panorama das iniciativas de aprendizagem no Brasil. O estudo, que foi divulgado nesta quinta-feira (25), analisou 151 projetos em 24 estados, tendo como base o Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens.
Dentre os dados apresentados, destaca-se que 52 iniciativas relacionadas ao currículo utilizam ferramentas de apoio para reestruturação. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os currículos específicos das redes são implementados em 88% dessas ações. Para Kátia Schweickardt, secretária de Educação Básica do MEC, os resultados obtidos oferecem uma compreensão mais profunda sobre a forma como as redes estão organizando suas políticas e os principais obstáculos enfrentados.
Kátia ressalta a importância de transformar essas evidências em ações concretas, que visem qualificar a assistência técnica e aprimorar diretrizes. Ela acredita que isso é essencial para fortalecer uma política educacional que se alinhe às realidades locais, ampliando, assim, o impacto nas aprendizagens dos alunos.
Ricardo Henriques, superintendente Executivo do Instituto Unibanco, comentou que o número significativo de iniciativas estruturadas demonstra um compromisso com o direito à aprendizagem. Ele observa que estados e municípios já possuem conhecimentos valiosos e que a transformação desse patrimônio em inteligência coletiva é fundamental para acelerar a superação das lacunas de aprendizagem e reduzir as desigualdades educacionais.
Entretanto, o levantamento também aponta falhas na escuta ativa dos educadores. Apenas 44% das redes de ensino afirmaram manter canais de comunicação com professores e gestores para o redesenho colaborativo das estratégias. Além disso, um número alarmante de 7% das redes não possui ações voltadas para a saúde mental dos profissionais, e apenas 14% oferecem programas de apoio psicológico direto aos docentes.
No que diz respeito ao cuidado psicossocial dos alunos, a pesquisa indica que 57% das ações estão em estágio intermediário de desenvolvimento. As práticas coletivas de acolhimento contínuo foram priorizadas por 75% das redes, seguidas por rodas de conversa (71%) e espaços de escuta (64%). No entanto, iniciativas voltadas para competências socioemocionais (46%) e atendimento psicológico especializado (36%) são menos frequentes.