Os medicamentos utilizados no tratamento da obesidade têm se mostrado eficazes ao propiciar perdas de peso significativas, algo que era complicado de alcançar apenas com mudanças no estilo de vida. Contudo, uma revisão científica publicada no dia 9 de julho no The BMJ aponta que a redução de peso é apenas um dos aspectos a serem considerados.
Os pesquisadores realizaram uma análise abrangente, reunindo dados de 262 ensaios clínicos que envolveram 99.791 adultos com sobrepeso ou obesidade. O estudo comparou a eficácia e a segurança de 19 medicamentos, avaliando não apenas a perda de peso, mas também aspectos como qualidade de vida, saúde cardiovascular, função renal e efeitos adversos.
Os resultados demonstraram que alguns medicamentos são bastante eficazes na redução do peso corporal. No entanto, também ficou evidente que os benefícios para a saúde variam conforme o medicamento utilizado, e há uma necessidade de estudos que analisem os efeitos dos tratamentos a longo prazo.
Entre os medicamentos avaliados, a tirzepatida foi a que apresentou a maior redução média de peso após um ano de tratamento, atingindo 14,9%. Em seguida, a CagriSema, que combina cagrilintida e semaglutida, obteve uma perda média de 14,8%. Outros medicamentos que também mostraram resultados positivos incluem a semaglutida oral e injetável, orforglipron e a combinação de fentermina com topiramato.
Apesar da eficácia observada, os pesquisadores notaram que os tratamentos que resultaram nas maiores perdas de peso também foram associados a uma maior incidência de efeitos adversos, principalmente problemas gastrointestinais, além de uma maior taxa de interrupção do tratamento. Entre os principais limites identificados na pesquisa, destaca-se que nem todos os medicamentos oferecem resultados equivalentes.
Adicionalmente, foi observado que, em geral, quanto maior a perda de peso proporcionada pelo medicamento, maior a chance de efeitos colaterais. Além disso, a maioria das opções ainda não demonstrou melhorias significativas na qualidade de vida dos pacientes, e as evidências sobre a proteção da função renal permanecem insuficientes.