O aumento de casos de violência contra a mulher impulsiona o tema nos palanques, mas levanta alertas sobre a instrumentalização eleitoral sem compromissos concretos.
O combate à violência contra a mulher emerge como tema central para as eleições de 2026, com líderes políticos incorporando a pauta em seus discursos.
O enfrentamento à violência contra a mulher tem se consolidado como um dos temas mais urgentes e com maior potencial de impactar a agenda pública e a campanha eleitoral de 2026 no Brasil. Com índices alarmantes em todo o país, o debate sobre o feminicídio e a violência doméstica transcende as discussões setoriais e ganha o centro do palco político, prometendo ser um vetor decisivo nas próximas eleições.
Historicamente, a segurança pública sempre figurou entre os pilares das discussões eleitorais. Contudo, o combate à violência de gênero, especificamente, emerge com uma nova proeminência.
Declarações recentes de figuras políticas de peso, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), sinalizam essa mudança, indicando que a pauta não se restringe mais a nichos, mas integra o discurso político de maior visibilidade.
Um exemplo marcante dessa centralidade foi a visita do presidente Lula à Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Ipojuca, no Grande Recife. Na ocasião, o presidente desviou significativamente o foco de seu pronunciamento, que deveria ser sobre a Petrobras, dedicando metade do tempo a um discurso contundente sobre o combate à violência de gênero. Esse gesto sublinha a percepção da importância estratégica do tema para a base eleitoral e a opinião pública.
O Risco da Instrumentalização Eleitoral
A crescente adesão de políticos ao discurso de combate à violência contra a mulher, embora positiva em termos de visibilidade, não vem sem alertas. Especialistas e ativistas da causa expressam preocupação com a possível instrumentalização eleitoral do tema.
Há um receio de que o assunto seja explorado nos palanques apenas para angariar votos, sem um compromisso efetivo com a formulação e implementação de políticas públicas robustas e duradouras que realmente transformem a realidade das mulheres.
Para 2026, a expectativa é que o tema continue a ganhar força, exigindo dos candidatos não apenas retórica, mas propostas concretas e um histórico de atuação que demonstre real engajamento. A sociedade civil e os movimentos de mulheres estarão atentos para discernir entre o discurso eleitoral vazio e as plataformas que verdadeiramente priorizam a vida e a segurança das mulheres, transformando o combate à violência de gênero em um critério fundamental para a escolha dos futuros representantes.