As investigações da Polícia Federal (PF) a respeito de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, revelam que ele é mencionado em comunicações como "destinatário de pagamentos e de benefícios" relacionados a um empresário que buscava contratos com a Dataprev, uma empresa de tecnologia vinculada ao governo federal.
De acordo com as apurações, a lobista Roberta Luchsinger foi contratada pelo empresário Cléber Ribas para atuar como intermediária no contato entre suas empresas, que operam no setor de tecnologia, e órgãos da administração pública em diferentes esferas. As informações foram obtidas por meio da quebra de sigilo de Roberta.
Nas trocas de mensagens, a lobista solicita a Cléber Ribas valores que, segundo ela, seriam destinados a cobrir despesas de Lulinha. A PF determinou que Cléber firmou um contrato e pagou à lobista pelo menos R$ 2,5 milhões entre março de 2024 e dezembro de 2025.
Como contrapartida, Roberta organizou reuniões com representantes da Dataprev e outros agentes públicos, visando defender os interesses do empresário. As investigações indicam que Lulinha esteve diretamente envolvido na intermediação dos negócios de Cléber, participando de encontros com autoridades para discutir os interesses do empresário.
Além disso, a PF apurou que Lulinha solicitou à lobista a emissão de notas fiscais para receber pagamentos do empresário. No total, Lulinha está sendo investigado em três inquéritos da Polícia Federal. O primeiro inquérito investiga especificamente as suspeitas de intermediação de Cléber junto à Dataprev, enquanto os outros dois tratam, respectivamente, da atuação de Roberta e Lulinha no Ministério da Saúde e de possíveis irregularidades em outras áreas do governo.