Os planos de governo apresentados por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mostram uma notável convergência em relação às iniciativas voltadas para a descarbonização e a transição energética. Ambos os candidatos compartilham propostas que visam o desenvolvimento de políticas focadas em fontes RENOVÁVEIS, biocombustíveis e no mercado de carbono, além de medidas para modernizar e expandir a infraestrutura elétrica do país.
Na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, Flávio Bolsonaro registrou sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, pela primeira vez, apresentou suas visões sobre o setor elétrico e de combustíveis. O senador do PL incorporou várias das iniciativas que foram desenvolvidas durante o terceiro mandato de Lula, refletindo um alinhamento em suas abordagens sobre a transição energética, apesar de dedicar menos de uma das 75 páginas de seu plano a este tema.
Os documentos revelam que, enquanto o Programa de Flávio menciona a intenção de “transformar o Brasil em potência de biocombustíveis”, Lula se concentra em detalhar a ampliação da Lei do Combustível do Futuro, que foi sancionada em 2024. Esta lei prevê um aumento gradual dos teores obrigatórios de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel, além de diretrizes para a adoção de biometano e diesel verde. Flávio também sugere a criação de linhas de financiamento específicas para empresas que atuam no setor de biogás.
Outro ponto em comum é a proposta de fortalecer e expandir o Programa RenovaBio, com o objetivo de permitir que o Brasil comercialize créditos de carbono no exterior. Por sua vez, Lula enfatiza a importância de agregar valor às cadeias de BATERIAS e armazenamento de energia, propondo um “programa de neoindustrialização do país” que visa abrir novas fronteiras de investimento nesse setor.
Flávio Bolsonaro destaca sua intenção de consolidar um mercado regulado de carbono que ofereça segurança jurídica, posicionando o Brasil como um fornecedor global de ativos ambientais. Lula, por sua vez, menciona o avanço na regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), que foi aprovado em dezembro de 2024 e está em fase de regulamentação. Este sistema estabelece diretrizes para a criação de um mercado regulado de carbono no Brasil, com previsão de pleno funcionamento até 2030.
O Ministério da Fazenda está à frente do processo de regulamentação do SBCE, que definirá os tetos de emissões de gases de efeito estufa por setor e as regras de comercialização de cotas de emissões, entre outras diretrizes. Com isso, ambos os candidatos mostram um compromisso com a agenda de descarbonização e a transição energética, refletindo um consenso em torno de temas cruciais para o futuro energético do Brasil.