Procurador-Geral da República arquiva pedido de investigação contra ministro do STF por falta de provas, gerando críticas à cobertura midiática.
A Procuradoria-Geral da República arquivou um pedido de investigação contra Alexandre de Moraes por suposta pressão no caso Banco Master, gerando críticas à cobertura da Globo.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou, nesta semana, um pedido de investigação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A decisão do procurador-geral Paulo Gonet refuta as acusações de que Moraes teria exercido “pressão” sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em um caso envolvendo o Banco Master.
O arquivamento gerou uma intensa repercussão e críticas à cobertura jornalística que deu origem às denúncias.
As acusações foram inicialmente divulgadas pela jornalista Malu Gaspar, em coluna no jornal “O Globo” e em telejornais da GloboNews. Segundo as reportagens, o ministro Moraes teria procurado Gabriel Galípolo em pelo menos quatro ocasiões para intervir em favor do Banco Master, enquanto o Banco Central analisava a liquidação da instituição.
A suposta interferência teria como pano de fundo um contrato da esposa do ministro, a advogada Viviane Barci, com o referido banco. A narrativa midiática sugeriu um possível tráfico de influência e violação dos princípios da Administração Pública.
Contrariando as alegações, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que seus contatos com Galípolo se restringiam a discutir sanções impostas a ele e à sua esposa pela Lei Magnitsky, do governo dos Estados Unidos, e não o caso do Banco Master. Apesar da defesa do ministro, a repercussão das reportagens impulsionou diversos pedidos de investigação e até de impeachment contra Moraes na Justiça, culminando no pedido analisado pela PGR.
PGR Arquiva Pedido por Falta de Provas
O procurador-geral Paulo Gonet justificou o arquivamento do pedido de investigação, apresentado pelo advogado Enio Murad, pela “absoluta ausência de lastro probatório mínimo que sustente a acusação formulada” tanto contra Galípolo quanto contra Moraes. Gonet enfatizou que, apesar da ampla repercussão midiática, “os veículos de imprensa não apresentaram elementos concretos ou indícios materiais que corroborem a tese de intimidação, permanecendo a narrativa no campo das suposições”.
Ele também mencionou que o sigilo de fonte, presente nas reportagens, impôs limitações à apuração.
Após a decisão da PGR, o Grupo Globo e a jornalista Malu Gaspar tornaram-se alvo de duras críticas nas redes sociais e por parte de figuras políticas. Internautas acusaram a jornalista de ter se “enrolado na própria mentira” e de divulgar informações sem provas.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) também se manifestou, afirmando que Malu Gaspar “não tinha provas, só meia dúzia de ‘fontes’ que não se sustentaram” e que o bom jornalismo exige “compromisso com a busca da verdade, checagem rigorosa das informações e questionamento das fontes”, o que, segundo ele, faltou no caso.
O episódio reacende o debate sobre a responsabilidade da imprensa na divulgação de informações sensíveis, especialmente quando envolvem figuras públicas e processos judiciais. A decisão da PGR, ao apontar a ausência de provas concretas, coloca em xeque a base factual das denúncias iniciais e reforça a necessidade de rigor na apuração jornalística antes da publicação de acusações de tamanha gravidade.