Na terça-feira, 14 de julho de 2026, o Google lançou um vídeo que recria o gol que Pelé considerava o mais bonito de sua trajetória esportiva, realizado em 2 de agosto de 1959. O lance, que ocorreu no estádio da Rua Javari, em São Paulo, durante um jogo entre o Santos e o Juventus, nunca foi registrado em filmagens, permanecendo nos relatos de quem esteve presente na partida.
O gol em questão foi marcado após Pelé realizar três chapéus consecutivos sobre defensores e o goleiro, finalizando sem que a bola tocasse o chão. A falta de registros visuais fez com que o lance fosse lembrado apenas através das memórias de torcedores e jornalistas ao longo de mais de seis décadas. A recriação é parte de um minidocumentário realizado em colaboração com a família do jogador e a empresa que administra seu legado.
O vídeo apresentado não é uma gravação recuperada, mas sim uma interpretação visual fundamentada em documentos, fotografias e relatos de testemunhas. A historiadora Anita Lucchesi e sua equipe compilaram cerca de 2.000 registros, incluindo plantas do estádio, recortes de jornais e álbuns de família. Além disso, foram analisadas mais de 3.600 imagens históricas para auxiliar na reconstrução da jogada.
Os pesquisadores também realizaram entrevistas com moradores da Mooca e pessoas que assistiram à partida. Utilizando fotografias, diagramas e uma maquete do estádio, a equipe trabalhou para reconstituir a posição dos jogadores e a sequência do gol.
A produção do vídeo combinou três principais recursos: filmagens reais, onde um dublê recriou os movimentos no gramado da Rua Javari, utilizando uniformes e bolas de couro semelhantes aos da época; inteligência artificial, com os modelos Veo, Gemini Omni e Nano Banana Pro adaptando o rosto, corpo e uniforme do dublê para simular Pelé; e efeitos visuais que modificaram a arquitetura do estádio e as condições do gramado.
Para capturar a movimentação, foi utilizada uma técnica baseada no Veo 3, permitindo a extração da geometria em três dimensões e os movimentos do dublê, o que possibilitou o tratamento separado dos atletas e do cenário. A pós-produção uniu inteligência artificial e efeitos visuais tradicionais, com a bola sendo inserida e ajustada individualmente, enquanto a granulação e o balanceamento de cores aproximaram o vídeo da estética cinematográfica da década de 1950. O material digital também foi transferido para película.