O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manifestou-se contra as alegações dos Estados Unidos, que caracterizam o pix como um mecanismo de comércio desleal, justificando a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, Vieira considerou as conclusões da investigação do United States Trade Representative (USTR) como "descabidas".
"As alegações e declarações de autoridades americanas sobre o pix são descabidas. O pix é uma estrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e está disponível a todas as instituições que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo pix", declarou o chanceler.
Esta foi a primeira manifestação pública de Vieira após a oficialização do novo tarifaço pelo USTR, que aplica a taxa sobre produtos do Brasil. O ministro estava acompanhado por negociadores de alto nível no Palácio do Itamaraty, onde abordou a questão com foco nas relações comerciais entre os dois países.
O chanceler também ressaltou que o novo tarifaço dos EUA carece de fundamento e que a motivação por trás da decisão americana é de natureza política. Ele mencionou que, durante as negociações, os Estados Unidos impuseram exigências que incluíam a abertura irrestrita de setores da economia brasileira, sem oferecer contrapartidas para os produtos nacionais, o que ele considerou uma capitulação.
Desde março de 2025, autoridades dos dois países realizaram mais de 30 reuniões, tanto presenciais quanto virtuais e por telefone. Vieira destacou que houve 11 contatos com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem mantido diálogos com representantes norte-americanos desde antes da implementação das novas sobretaxas. Durante sua declaração, que durou menos de cinco minutos, o chanceler foi acompanhado por outros negociadores, incluindo o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, Maurício Lyrio, e o Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros, Phillip Fox Gough.