No último dia 29 de julho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um plano abrangente de R$ 1,335 bilhão voltado à prevenção e mitigação dos impactos do fenômeno climático El Niño. A reunião que formalizou o anúncio contou com a participação de representantes de 23 ministérios e seis instituições. Durante o evento, Lula enfatizou a importância da preparação, afirmando que, independentemente da ocorrência do fenômeno, o governo está se esforçando para lidar com possíveis crises.
A distribuição dos recursos do plano é diversificada e inclui R$ 850 milhões destinados à compra de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz. Além disso, R$ 337 milhões serão aplicados em ações de prevenção e combate a incêndios, enquanto R$ 65 milhões serão direcionados à aquisição de 350 mil cestas de alimentos. Outros R$ 45 milhões serão investidos em Centros de Informação em Saúde e Clima, e na ForSUS (Força Nacional do Sistema Único de Saúde). O monitoramento dos rios receberá R$ 25 milhões e, por fim, R$ 13 milhões serão voltados ao Programa de Aquisição de Alimentos, que atende agricultores na Região Norte.
A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, destacou as iniciativas do governo que visam minimizar os efeitos do El Niño. Organizações da sociedade civil já haviam alertado em maio sobre a necessidade de implementar políticas de adaptação climática, com foco nas populações mais vulneráveis. O documento apresentado por essas organizações citou a urgência de ações preventivas contra enchentes, deslizamentos, secas e incêndios florestais, reforçando a importância de um planejamento eficaz.
Uma das principais estratégias do governo é a criação de uma Sala de Situação do El Niño, que reúne 24 ministérios para monitorar a evolução do fenômeno e coordenar as ações federais. A abordagem se fundamenta em quatro pilares: unificação e monitoramento de dados, mapeamento de riscos, antecipação de ações e proteção das populações vulneráveis. Miriam Belchior ressaltou que o governo se encontra mais preparado para enfrentar o El Niño do que durante ocorrências anteriores do fenômeno.
O plano inclui também medidas voltadas ao setor elétrico, com ênfase no monitoramento dos reservatórios na Região Norte, caso os níveis dos rios apresentem queda. Na área de segurança alimentar, a antecipação na entrega de cestas básicas será ampliada, passando de 160 mil para 350 mil cestas, beneficiando Povos Indígenas, quilombolas, ribeirinhos e agricultores familiares. Além disso, os estoques públicos de arroz serão aumentados para 310 mil toneladas, em resposta ao risco de quebra de safra no Sul, e 180 mil toneladas de milho serão priorizadas para atender o semiárido nordestino.
Os Centros de Informação em Saúde e Clima terão um papel crucial, monitorando os efeitos sanitários associados a fenômenos como ondas de calor e chuvas intensas, fornecendo ao Sistema Único de Saúde análises epidemiológicas para melhor planejamento e resposta.