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Ideia de introduzir armas nucleares na Guerra da Ucrânia é inaceitável, diz ONU

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O diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Rafael Grossi, afirma que as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio têm gerado uma das tendências mais negativas dos últimos tempos: o interesse pela expansão das armas nucleares.

“O resultado dessas novas tensões internacionais tem criado um atrativo maior pelas armas nucleares. Países pensando que eventualmente uma arma nuclear seja necessária”, disse o diretor à Folha durante visita a Brasília.
A Otan, aliança militar ocidental, anunciou na última segunda-feira (17) que considera deixar mais armas nucleares em prontidão para uso imediato contra a Rússia, em apoio a Kiev.

Grossi é crítico das ameaças de incorporar o componente nuclear à guerra. “Os países que têm armas nucleares têm uma doutrina, critérios que devem ser checados para eventualmente utilizá-las […]. Falar de introduzir armas nucleares nesse conflito, para mim, é inaceitável”, afirmou.

Outro foco da agência ligada à ONU é o Irã. O país não tem armas nucleares, mas passou a enriquecer urânio em grandes quantidades. O temor de que Teerã passe a produzir armamento do tipo gerou instabilidade em países vizinhos, que avaliam seguir o mesmo caminho.

PERGUNTA – A Otan anunciou que estuda deixar armas nucleares em prontidão para apoiar a Ucrânia na guerra contra a Rússia. Como a agência vê essa escalada?

RAFAEL GROSSI – A agência não tem mandato direto sobre a utilização eventual das armas nucleares, mas tem uma influência e normas legais no âmbito da não proliferação. Na minha opinião, o resultado dessas novas tensões internacionais tem criado um atrativo maior pelas armas nucleares -países pensando que eventualmente elas sejam necessárias.

Não há na América do Sul, mas na região do Oriente Médio, na Ásia, você pode imaginar. Países que têm dito de maneira muito clara que, se o Irã se dotar de armas nucleares, vão fazer o mesmo. Existe uma certa normalização desse discurso. Acho muito lamentável.

Temos que ter um retorno à calma. As tensões existem, não devemos ter uma visão angelical da realidade internacional. Mas também precisamos entender que certos discursos são provocativos e podem resultar em agravamento das tensões internacionais.

P – As declarações recentes do secretário-geral da Otan [Jens Stoltenberg, que deixará o cargo] sobre as armas nucleares na Ucrânia preocupam a agência? Quais são suas recomendações?

A introdução de armas nucleares em um conflito entre um país dotado e um país não dotado seria o equivalente a uma guerra nuclear generalizada. Os países que têm armas nucleares têm uma doutrina, critérios que devem ser checados para eventualmente utilizá-las. Um deles é ser atacado ou ameaçado com armas nucleares ou armas de destruição em massa. Outro é a possibilidade de destruição do Estado ou a sobrevivência do Estado. Por isso, falar de introduzir armas nucleares nesse conflito, para mim, é inaceitável.

P – O senhor conversou com o secretário-geral da Otan?

RG – Não.

P – Pretende conversar?

RG – Não. Acredito que temos mandatos diferentes. Temos os mesmos integrantes, mas temos mandatos muito diferentes. Essa é uma aliança militar, nós somos uma agência de paz e desenvolvimento tecnológico de não proliferação.

P – Na visita de Vladimir Putin à Coreia do Norte, um dos assuntos foi o estreitamento da aliança militar. Isso o preocupa do ponto de vista nuclear?

RG – É uma situação única. A Coreia do Norte abandonou o TNP [Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares], expulsou todos os inspetores e desenvolveram armas nucleares. E a Rússia é membro do TNP. Não temos informações que indiquem que existe uma colaboração no plano nuclear entre a Rússia e a Coreia do Norte.

P – A AIEA faz inspeções constantes na Rússia?

RG – Nós temos um regime de inspeções limitado nesses cinco países, porque esses países já têm suas armas nucleares. Temos muito trabalho no nível da segurança física, segurança tecnológica das centrais. E temos também inspeções mais simbólicas, diria, porque a natureza dessas inspeções é evitar a proliferação nuclear -e isso já ocorreu nesses países nos anos 1940, 1950.

P-A agência possui uma missão de tempo integral na Ucrânia. Como está a segurança nuclear no contexto da guerra?

RG – Estamos presentes em todas as cinco instalações nucleares da Ucrânia e também na política. São quatro centrais nucleares e Tchernóbil, que é uma instalação nuclear, mas em descomissionamento [desativação]. Estamos em todo o território ucraniano, inclusive no território ocupado, situação única na história.

P – O sr. já esteve com Putin. Conseguiu algum compromisso do presidente russo?

RG – Estabeleci compromissos para todos os envolvidos no sentido de evitar ataques às centrais nucleares e evitar a militarização delas. Naturalmente inclui a Rússia e outros atores, como a Ucrânia. Evitar o emprego de lançadores de foguetes, artilharia pesada.

Não é um compromisso legal, mas político, baseado na missão da agência. Apresentei esse compromisso ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, para ter uma natureza mais solene e importante em nível global. Recebi apoio de todos.

Não temos garantias de que não haverá ataques, mas acredito que estejamos exercendo um papel dissuasivo bastante claro.

P – As guerras na Ucrânia e em Gaza têm feito outros países buscarem armas nucleares?

RG – Vejo uma tendência. Está demonstrado que a arma nuclear, infelizmente, está exercendo um papel muito importante como dissuasão ou, eventualmente, como instrumento militar -espero que não seja usada.

P – A Marinha do Brasil tenta construir seu primeiro submarino nuclear. Há queixas de setores militares de que a AIEA faz exigência de inspeção muito rígida, o que comprometeria o sigilo da operação. Como o sr. vê essas críticas?

RG – É um desafio mútuo para o Brasil e para a agência. O Brasil tem um desenvolvimento tecnológico de grande importância; eu, como argentino, compreendo bem. Mas temos que ser todos iguais perante a lei. Um submarino nuclear não pode ser excluído das inspeções porque muito de seu material pode servir ao desenvolvimento de armas nucleares.

No marco legal existe essa previsão de desenvolvimento de um sistema de inspeção capaz de dar essas garantias [de não desenvolvimento de armas nucleares]. Não é fácil, mas é indispensável para o Brasil e para a Austrália também.

P – São casos diferentes.

RG – Diferente em tecnologia, mas igual quando falamos que um país tem muito material potencialmente bélico que não vai se submeter a inspeções por muitos meses. E que estará armazenado em instalações navais, com perímetros de quilômetros, que podem oferecer possibilidade de desvios. Naturalmente, existe essa tensão entre o pensamento soberanista e a impulsão internacionalista. Isso é natural e saudável quando trabalhamos com boas intenções, como é o caso do Brasil.

O Brasil não quer armas nucleares, quer propulsão nuclear. Isso está claro para todo mundo. Mas precisamos definir os critérios porque esse acordo tem que ser apresentado à Junta de Governadores [colegiado deliberativo da agência]. Quando este dia chegar, o primeiro defensor desse acordo tem que ser o diretor-geral, não os brasileiros. Sou eu que apresento o plano aos 35 países e preciso dar garantia de que esse acordo não vai trazer problemas.

P – Os militares brasileiros reclamam que a agência pretende submeter o submarino a inspeções que outros países não têm.

RG – São diferentes, mas isso é natural. São diferentes porque os países que têm submarinos nucleares são os países que já têm armas nucleares. A consequência lógica disso é que eles já as desenvolveram, infelizmente. Não há interesse de saber se neste submarino americano ou britânico eles vão desviar [urânio enriquecido para fabricação de bombas]. Não faz sentido.

A Índia também tem submarino nuclear, mas não assinou o TNP. Por isso que [as inspeções rigorosas] serão feitas nesses casos do Brasil e da Austrália.

P – Na proposta da AIEA, como seria a inspeção da tecnologia nuclear do submarino brasileiro?

RG – Na prática, [o ideal] deve incluir inspeções antes e após o retorno do submarino ao porto, para comparar o balanço do material. Ao chegar, analisa-se o material, o combustível, e aí se confirma que o material produzido foi utilizado somente para a propulsão do submarino.

RAIO-X | RAFAEL GROSSI, 63

É diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica desde 2019. É diplomata argentino com mais de 40 anos de atuação. Foi embaixador na Áustria, Eslovênia e Eslováquia. Representou a Argentina como aliado extra-Otan e foi chefe de gabinete da Organização para a Proibição de Armas Químicas, em Haia, na Holanda.

           

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Estimativa de vitória de Trump sobe para 66% em casas de apostas após ataque

A média foi calculada pelo site RealClearPolitics.

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Dois dias após o atentado contra Donald Trump durante um comício na Pensilvânia, a chance de vitória do republicano na corrida à Casa Branca cresceu para 66% em casas de apostas dos Estados Unidos.

Em comparação, a chance de que o presidente Joe Biden conquiste a reeleição é de apenas 18,3%, de ainda acordo com as casas de apostas. A média foi calculada pelo site RealClearPolitics.

Participantes da convenção nacional do Partido Republicano levantam cartazes com os nomes do ex-presidente Donald Trump e de seu candidato a vice, J.D. Em seguida, a vice-presidente Kamala Harris tem 7% de chance vitória, enquanto nomes como o ex-presidente Barack Obama, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, e o candidato independente Robert F. Kennedy Jr. marcam 2% ou menos. O levantamento considera sites de apostas como BetOnline, Betfair, e Bovada, entre outros.

O site indica que a probabilidade calculada por apostadores de uma vitória de Trump saltou dez pontos percentuais depois do atentado contra ele no último sábado (13), refletindo a percepção de que o ocorrido fortalece as chances do republicano.

Imediatamente após ser atingido de raspão, Trump, com o rosto ensanguentado, ergueu o punho em um gesto de desafio, gerando uma imagem política que correu o mundo e foi retratada, por exemplo, na capa da revista Time.

Biden condenou o atentado e pediu união, enquanto alguns membros do Partido Republicano culparam os democratas por uma retórica agressiva contra Trump que supostamente inflamou tensões.

De acordo com analistas ouvidos pela Bloomberg, as chances de uma vitória de Trump só não subiram mais nas casas de apostas porque, por enquanto, as pesquisas de intenção de voto não registraram grande mudança no humor do eleitorado americano –de acordo com o site FiveThirtyEight, Trump continua ligeiramente à frente de Biden em uma média de pesquisas que contemplam o país inteiro: 42% a 40%.

Após o debate presidencial entre os candidatos, durante o qual o desempenho desastroso de Biden deu início à pressão interna do Partido Democrata para que ele desista da reeleição, as chances do presidente nas casas de apostas despencaram quase 15 pontos percentuais.

Antes da entrevista coletiva da última quinta (11), na qual o presidente buscou se fortalecer e resistir à pressão para que abandonasse a corrida, a média apontava que Kamala tinha mais probabilidade de vencer a eleição do que Biden –a vice-presidente chegou a marcar 20%, mas caiu depois que o atual ocupante da Casa Branca insistiu que permaneceria como candidato.

Foto getty

Por Folhapress

           

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Israel faz nova ofensiva na Faixa de Gaza, após ataque matar dezenas

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Israel atacou o sul e o centro da Faixa de Gaza nesta segunda-feira (15) para pressionar ainda mais o Hamas, após um ataque no fim de semana que teve como alvo a liderança do grupo militante e que matou muitos palestinos acampados em uma designada “zona de segurança”.

Dois dias depois que o ataque israelense transformou uma área movimentada de Mawasi, perto da costa do Mediterrâneo, em um terreno baldio carbonizado, repleto de carros em chamas e corpos mutilados, os sobreviventes desabrigados disseram que não tinham ideia para onde deveriam ir.

“Aqueles momentos em que o chão tremeu sob meus pés e a poeira e a areia subiram ao céu e eu vi corpos desmembrados – nunca tinha visto algo assim em minha vida”, disse Aya Mohammad, de 30 anos, vendedora de um mercado em Mawasi, contatada por mensagem de texto de celular.

“Para onde ir é o que todo mundo pergunta, e ninguém tem a resposta.”

Mawasi, na periferia oeste de Khan Younis, tem abrigado centenas de milhares de palestinos que fugiram para a área depois que Israel a declarou uma zona segura. Israel disse que seu ataque no sábado teve como alvo o comandante militar do Hamas Mohammed Deif, um arquiteto do ataque de 7 de outubro às cidades e vilas israelenses que desencadeou a guerra de Gaza.

Autoridades palestinas afirmam que pelo menos 90 pessoas foram mortas no sábado e centenas ficaram feridas. Os jornalistas da Reuters que estavam no local filmaram a carnificina, com moradores carregando os feridos e mortos em meio a chamas e fumaça.

Mais ao sul, em Rafah, principal foco do avanço de Israel desde maio, os moradores relataram novos combates na segunda-feira. As forças israelenses nas regiões oeste e central da cidade explodiram várias casas, segundo eles. Autoridades médicas disseram ter recuperado 10 corpos de palestinos mortos por fogo israelense nas áreas orientais da cidade, alguns dos quais já haviam começado a se decompor.

Os militares também intensificaram os bombardeios aéreos e de tanques na região central de Gaza, nos campos de refugiados históricos de Al-Bureij e Al-Maghazi. Autoridades de saúde disseram que cinco palestinos foram mortos em um ataque aéreo israelense a uma casa no campo de Maghazi.

As Forças Armadas israelenses disseram que as forças aéreas atingiram dezenas de alvos militares palestinos em Gaza, matando muitos homens armados. Acrescentaram que as forças mataram homens armados em Rafah e no centro de Gaza, às vezes em combate corpo a corpo.

Um comunicado da brigada Al-Quds, o braço armado do grupo militante Jihad Islâmica, informou que seus combatentes estavam envolvidos em batalhas ferozes no campo de Yabna, em Rafah.

Fonte: Agência Brasil

           

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Foto capta momento em que bala passa junto a cabeça de Trump

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Doug Mills, fotógrafo do The New York Times, foi designado para cobrir o comício de Donald Trump em Butler, Pensilvânia, no último sábado. O que seria apenas mais um trabalho se transformou em um evento de grande tensão, quando ocorreu uma tentativa de assassinato contra o líder republicano.

Mills estava com o dedo no gatilho de sua câmera no exato momento em que os disparos começaram, e capturou a trajetória da bala que visava, sem sucesso, assassinar Donald Trump.

A imagem rapidamente se espalhou pelas redes sociais, mostrando a bala passando próximo à cabeça do político.

“O simples cálculo balístico mostrou que era possível capturar uma bala como o Sr. Mills provavelmente fez em uma foto”, disse Michael Harrigan, ex-agente do FBI, ao The New York Times.

Segundo o jornal, Mills utilizava uma câmera digital Sony capaz de capturar até 30 quadros por segundo. Ele fotografou o incidente com uma velocidade de obturação de 1/8.000 de segundo, uma configuração extremamente rápida para os padrões da indústria fotográfica.

 Foto Doug Mills

Por Notícias ao Minuto

           

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